
Com uma área plantada que se aproxima de 1,7 milhão de hectares de florestas comerciais e seis grandes projetos industriais em diferentes estágios de implantação, Mato Grosso do Sul avança para se consolidar como principal polo florestal e de celulose do Brasil. O avanço é resultado de uma combinação de investimentos privados robustos com um conjunto de políticas públicas voltadas à sustentabilidade, qualificação profissional e gestão ambiental estratégica.
As ações foram apresentadas na 2ª Reunião Ordinária de 2025 da Câmara Setorial de Florestas, realizada nesta terça-feira (4) em Ribas do Rio Pardo, município que se tornou símbolo da expansão florestal sul-mato-grossense. O evento contou com a presença de representantes do setor produtivo e de órgãos como IMASUL, IAGRO, Reflore, AREFLORESTA, além de técnicos de Mato Grosso e lideranças estaduais.

Gestão integrada e planejamento sustentável
Um dos destaques da reunião foi a apresentação do MS AGRODATA, plataforma desenvolvida pelo governo estadual para centralizar dados da produção florestal e agrícola, integrando informações para o planejamento estratégico do setor. A ferramenta também facilita o controle de créditos de reposição florestal, apoiando políticas de compensação e regeneração ambiental.
Segundo Rogério Beretta, secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, o sistema é um exemplo de como a tecnologia pode contribuir para otimizar o uso da terra e garantir rastreabilidade ambiental. Ele destacou ainda que o estado já atingiu 1,6 milhão de hectares de florestas plantadas e trabalha com a meta de alcançar 2,7 milhões de hectares até 2026, o que posicionaria Mato Grosso do Sul como líder nacional na produção de eucalipto.
Compromisso ambiental
A gestão ambiental foi outro eixo da reunião. O gerente de Recursos Hídricos do Imasul, Leonardo Sampaio, apresentou iniciativas ligadas à conservação da biodiversidade e à reposição florestal em áreas degradadas, que são financiadas, em parte, pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Ele ressaltou que o modelo adotado no estado busca equilibrar a produção florestal com a preservação dos recursos naturais, promovendo o uso sustentável da terra e a manutenção de serviços ecossistêmicos. A participação de empresas do setor privado, que destinam áreas significativas para preservação permanente e reserva legal, complementa o esforço público na agenda ambiental.
Qualificação profissional fortalece base local
A expansão do setor também tem movimentado programas de capacitação. A coordenadora da Secretaria Executiva de Qualificação e Trabalho (Sequalit), Eli Sandra Francisco, apresentou a Rede de Qualificação Profissional no Setor Florestal, vinculada ao programa MS Qualifica. Entre os destaques está o Voucher Transportador, que oferece capacitação gratuita para motoristas, incluindo mudança de categoria da CNH para D e E.
Na primeira fase do programa, 990 motoristas foram atendidos, sendo que mais da metade já está inserida no mercado de trabalho — reflexo da crescente demanda logística gerada pelo setor florestal, especialmente no transporte de madeira e insumos.

Municípios se transformam com a chegada da indústria
O crescimento do setor tem gerado impactos significativos em cidades como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência e Bataguassu, que recebem investimentos bilionários da indústria de base florestal. A implantação de novas fábricas tem ampliado a arrecadação municipal, gerado empregos diretos e indiretos e promovido um redesenho da infraestrutura local.
Nos bastidores do encontro, autoridades destacaram que a ação coordenada do governo estadual, somada à segurança jurídica e à oferta de qualificação, tem sido decisiva para atrair projetos de grande porte. Municípios como Inocência, que deverá receber uma nova planta industrial nos próximos anos, já se preparam para uma transformação econômica estrutural.
Panorama do Setor Florestal em Mato Grosso do Sul
| Indicador | Dado Atual (2024/2025) |
|---|---|
| Área plantada com eucalipto | 1,6 milhão de hectares |
| Meta até 2026 | 2,7 milhões de hectares |
| Investimentos privados anunciados (2022–2025) | R$ 63,2 bilhões |
| Fábricas de celulose no estado | 6 (4 em operação, 1 em construção, 1 em licenciamento) |
| Municípios em destaque | Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência, Bataguassu |
| Conservação privada (ex. Suzano) | 143 mil hectares |
| Profissionais capacitados no setor (MS Qualifica) | 990 motoristas (1ª fase do Voucher Transportador) |
| Participação nacional (produção de celulose) | MS responde por mais de 13% da produção brasileira |
| Exportações brasileiras de celulose (2024) | US$ 10,4 bilhões (Brasil é o maior exportador mundial) |
Fontes: Semadesc, Imasul, Reflore/MS, Conab, Secex (Ministério da Economia)
Visita técnica reforça integração entre estados
No dia anterior à reunião (3), os participantes realizaram uma visita técnica ao viveiro de mudas da Bracell em Água Clara, com o objetivo de conhecer de perto a produção de mudas clonais de eucalipto e as práticas de manejo utilizadas. A troca de experiências entre técnicos de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso reforça a busca por modelos sustentáveis e escaláveis no setor florestal brasileiro.
Por: Henrique Theotônio
Com informações Semadesc
Fotos: Divulgação
