Plantio da soja avança em Mato Grosso do Sul e deve alcançar safra 5,9% maior em 2025/26

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O plantio da soja em Mato Grosso do Sul avança de forma gradual e, segundo o Projeto SIGA-MS, desenvolvido pela Aprosoja/MS e Sistema Famasul, 3,9% da área total estimada para a safra 2025/26 já foi semeada até o dia 3 de outubro, o que representa cerca de 187 mil hectares. O levantamento mostra que a região sul do Estado lidera os trabalhos, com 5,8% da área plantada, seguida pelo centro (1,2%) e pelo norte (0,1%).

A nova safra deve consolidar Mato Grosso do Sul como um dos principais produtores de soja do país. A projeção da Aprosoja/MS aponta que a área cultivada atingirá 4,7 milhões de hectares, um crescimento de 5,9% em relação ao ciclo anterior, quando o Estado registrou 4,44 milhões de hectares. A produção estimada é de 15 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare, conforme dados históricos do SIGA-MS.

“A mitigação de riscos é essencial, especialmente quando as condições climáticas apresentam oscilações ao longo do ciclo da cultura. Táticas como o escalonamento do plantio são cruciais para reduzir vulnerabilidades e garantir estabilidade na produtividade”, explica Flávio Aguena, assessor técnico da Aprosoja/MS.

Desempenho histórico e evolução da cultura

Nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul ampliou em 19% a área destinada à soja, acompanhando a tendência nacional de expansão da oleaginosa. Em 2019/20, o Estado cultivava cerca de 3,9 milhões de hectares, com produção total de 12,2 milhões de toneladas. O salto para 15 milhões previstos nesta safra representa crescimento acumulado de 23% na produção.

Esse desempenho coloca o Estado entre os cinco maiores produtores de soja do Brasil, com participação de cerca de 8% na produção nacional, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Fenômeno climático e manejo estratégico

A safra 2025/26 será marcada pela influência do La Niña de intensidade fraca a moderada, o que pode provocar redução das chuvas em algumas regiões, especialmente no norte e nordeste do Estado. Segundo a Agência Climatempo, o regime irregular de precipitações deve se estabilizar a partir da segunda quinzena de outubro.

“Mesmo sob influência do La Niña, o produtor sul-mato-grossense tem experiência e tecnologia para mitigar riscos. O solo bem estruturado e o manejo eficiente são diferenciais que fazem do Estado um exemplo de resiliência”, destaca Renato Roscoe, diretor-executivo da Famasul.

De acordo com o levantamento da Aprosoja/MS, 83% da semeadura da soja costuma ocorrer entre 17 de outubro e 14 de novembro, período considerado ideal para garantir melhor aproveitamento hídrico e fotossintético das plantas.

Cenário econômico

Com a colheita ainda distante, o mercado da soja já reflete certa estabilidade. A saca de 60 kg está cotada, em média, a R$ 117,87 em Mato Grosso do Sul, enquanto o milho apresenta média de R$ 49,52, conforme dados do Sistema Famasul.

“O produtor está mais cauteloso nas vendas antecipadas, aguardando definições sobre o câmbio e o comportamento da demanda internacional. O momento é de planejamento e controle de custos”, observa André Dobashi, presidente da Aprosoja/MS.

Evolução do cultivo da soja em MS (2019/20–2025/26)

SafraÁrea (mil ha)Produção (mil t)Produtividade (sc/ha)
2019/203.90012.20050,0
2020/214.00013.40051,5
2021/224.30012.90049,8
2022/234.50014.80052,4
2023/244.44014.16051,2
2025/26*4.70015.00052,8

*Estimativas Aprosoja/MS e SIGA-MS

Perspectiva otimista

A expectativa do setor é que, mantendo o ritmo atual de crescimento e a consolidação de novas áreas agrícolas, Mato Grosso do Sul ultrapasse a marca de 16 milhões de toneladas de soja até 2027, fortalecendo sua posição no comércio internacional e atraindo novos investimentos em armazenagem e processamento.

“Nosso Estado combina tecnologia, gestão e sustentabilidade. O protagonismo do produtor sul-mato-grossense se reflete em resultados concretos e em uma agricultura cada vez mais competitiva”, conclui Renato Roscoe (Famasul).


Fontes: Aprosoja/MS, Sistema Famasul, SIGA-MS, Conab, Climatempo, Cepea/Esalq

Por: Henrique Theotônio e Amanda Coelho
Fotos: Aprosoja MS