Pecuária leiteira deve enfrentar 2026 com margens mais apertadas e menor volatilidade de preços

Compartilhe:

O ano de 2026 deve ser marcado por cautela no setor nacional de pecuária leiteira, segundo avaliação de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com crescimento econômico mais moderado e preços do leite já em níveis inferiores aos observados em anos anteriores, o cenário aponta para margens mais estreitas aos produtores, apesar de uma menor volatilidade ao longo do ano.

De acordo com o Cepea, a projeção de um Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 2% e o avanço mais contido da oferta de leite cru, estimado entre 2% e 2,5%, tendem a reduzir oscilações bruscas nos preços pagos ao produtor. Ainda assim, os valores iniciam 2026 em patamares baixos e a recuperação deve ocorrer apenas no período de alta sazonal, tradicionalmente entre abril e agosto.

Os pesquisadores destacam que os preços do leite no campo permanecem pressionados desde o fim de 2025 e não há expectativa de retomada significativa no curto prazo. A combinação de demanda interna mais fraca e crescimento controlado da produção limita o espaço para elevações consistentes ao longo do ano.

Por outro lado, a perspectiva de custos menores com ração pode ajudar a evitar uma deterioração mais acentuada das margens. Mesmo assim, o Cepea avalia que a rentabilidade dos produtores leiteiros em 2026 deverá ser inferior à registrada em 2024 e também ao desempenho observado no primeiro trimestre de 2025.

Nesse contexto, o centro de estudos aponta que oportunidades podem surgir ao longo do ano, mas exigirão maior disciplina financeira, gestão eficiente dos custos e ganhos de produtividade. A capacidade de adaptação às condições de mercado será determinante para a sustentabilidade da atividade em um ambiente econômico mais restritivo.

Por: Cepea