
Países da União Europeia aprovaram, nesta sexta-feira (9), o avanço do acordo comercial entre o bloco e o Mercosul, movimento que prepara a assinatura do maior tratado de livre comércio já negociado pela UE. A aprovação ocorreu em reunião de embaixadores em Bruxelas, apesar da resistência da França e de outros países, e ainda dependerá de validação final no Parlamento Europeu.
O acordo, negociado há mais de duas décadas, cria um mercado potencial de cerca de 700 milhões de consumidores e envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Segundo a Comissão Europeia, o tratado é estratégico para ampliar o acesso de produtos industriais e agrícolas europeus na América do Sul e conter o avanço da China na região.
Entre os pontos mais sensíveis para os países europeus está o setor agrícola. Estados-membros aprovaram salvaguardas para monitorar importações e acionar mecanismos de proteção caso os embarques do Mercosul cresçam acima de determinados percentuais. França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda votaram contra; Bélgica se absteve.
Reflexos para Mato Grosso do Sul
Para o agronegócio brasileiro, a redução tarifária pode ampliar competitividade em carnes, soja, milho, biocombustíveis e frutas. No caso de Mato Grosso do Sul, o acordo tem potencial de fortalecer setores já consolidados no comércio com a Europa, especialmente proteína animal, celulose e açúcar.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a União Europeia foi, em 2024, o terceiro maior destino das exportações do MS, com destaque para:
- Celulose (principal item exportado)
- Açúcar
- Carne bovina
- Óleo de soja
No ano passado, as vendas externas do Estado para o bloco somaram US$ 1,29 bilhão, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS (Semadesc).
O setor de carnes é um dos mais interessados no acordo. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a União Europeia possui um dos mercados de maior valor agregado do mundo. Em 2023, o bloco importou US$ 841 milhões em carne bovina brasileira, com cortes premium e cota Hilton liderando os embarques.
Para o MS, que vem registrando aumento da produção industrializada de carne e ampliação de plantas habilitadas para exportação, o acordo pode elevar margens de valor. “A Europa paga mais por carne de qualidade e certificada. Mato Grosso do Sul tem estrutura produtiva e sanitária para capturar esse mercado”, afirmou Antônio Jorge Camardelli, presidente da Abiec, em entrevista em 2024.
Além da proteína animal, o acordo pode impulsionar setores de base florestal. A celulose correspondeu a quase 42% de toda a pauta exportadora do Estado em 2023, segundo a Semadesc, principalmente para Países Baixos, Itália e Portugal.
Por: Amanda Coelho
Com informações do Info Money
