Se tem algo que a pecuária brasileira aprendeu nos últimos anos é que performance não nasce apenas no pasto. Ela nasce no caderno, no computador, nos dados e, claro, na genética. E isso vale para todos: do pequeno produtor que trabalha com poucas vacas ao grande criador que participa dos maiores leilões do país. O que muda é o ritmo, mas o destino é o mesmo — produzir mais e melhor.
Na Fazenda São Judas Tadeu, a família Zottesso vive essa transformação na prática. Por lá, excelência genética nunca foi só meta, foi propósito. O rebanho Nelore é conduzido por Cláudio Zottesso, sua família e cinco colaboradores, integrando cria, recria e engorda com consistência. Mas, como acontece em qualquer propriedade intensiva, o gargalo apareceu: gestão.
“Participamos de muitos leilões, e controlar os pagamentos no papel é complicado. Eu precisava resolver esse gargalo o mais rápido possível”, lembra Cláudio.
Cláudio Zottesso e seu filho, Rafael Zottesso na lida de campo
Quando genética encontra dados, o resultado aparece
Foi aí que a tecnologia entrou na porteira. Com apoio do filho, Rafael Zottesso, professor e formado em Sistemas de Informação, a fazenda iniciou há três anos a migração para a pecuária digital.
“Começamos com planilhas e, hoje, utilizamos um programa que gerencia todos os processos: financeiro, produção, automação e características individuais dos animais”, explica Rafael.
O impacto vai além do controle financeiro: o sistema permite acompanhar desempenho individual, identificar precocemente problemas e ajustar decisões antes que o prejuízo aconteça — algo essencial no melhoramento genético, onde cada bezerro carrega valor estratégico.
“Só foi possível com a ajuda do Senar/MS”, completa Rafael.
O papel do Senar-MS e da Famasul nesse salto
A assistência técnica e gerencial do Senar/MS, ligada ao Sistema Famasul, tem sido determinante para democratizar acesso ao conhecimento — da genética à gestão, da nutrição à reprodução. Na prática, é esse apoio que permite que propriedades pequenas, médias ou grandes adotem protocolos de seleção, cruzamento, manejo reprodutivo, registro de dados e estratégias que elevam a produtividade do rebanho.
Não se trata apenas de tecnologia; trata-se de cultura produtiva. E isso ficou evidente na experiência da família.
“O Diogo, técnico de campo que nos acompanha, me deu várias orientações no início. Voltei pra casa com uma folha cheia de anotações para melhorar o sistema”, conta Cláudio.
Com ajustes, a fazenda incorporou automações: irrigação de pomar e horta pelo celular, câmeras espalhadas pela propriedade e processos integrados que aumentaram segurança e controle operacional. O objetivo para 2026 é claro: 100% digitalizada e acessível para todos os colaboradores.
Genética não é para poucos — é para quem planeja
O melhoramento genético entrou no centro da agenda da pecuária porque resolve três desafios-chave em qualquer escala produtiva:
✔ mais eficiência reprodutiva ✔ ganho de precocidade e peso ✔ carne com padrão de mercado
Quando associado à gestão profissional, ele cria uma equação poderosa: menos custos por arroba produzida, mais desempenho por hectare e maior previsibilidade no sistema — trinca valorizada por quem produz e por quem compra.
É nessa intersecção que instituições como o Senar-MS e a Famasul vêm atuando: oferecendo assistência, capacitação, acompanhamento técnico e acesso a informação — elementos que permitem ao produtor antecipar erros e ampliar resultados.
Produtividade com qualidade de vida
Para Cláudio, a transformação também passa por quem faz o trabalho acontecer no dia a dia.
“A ideia é que, da porteira para dentro, a gente tenha mais segurança no trabalho e, consequentemente, mais eficiência. Se servirmos de exemplo para outros produtores, fico muito feliz.”
O futuro da porteira é técnico, genético e digital
A fazenda colhe agora aquilo que plantou: um rebanho mais eficiente, uma gestão moderna e um sistema que alia genética, dados e gente qualificada. E isso só é possível quando produtor + família + instituições do setor caminham juntos.
No fim das contas, não importa o tamanho da fazenda — importa o tamanho do projeto. E é aí que o melhoramento genético deixa de ser moda e vira inevitável: quem adotou, colhe. Quem planeja, acelera. E quem tem Senar-MS e Famasul como parceiros, encurta o caminho.