Levantamento de embarques mostra recuo da soja com forte avanço do farelo

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Segundo boletim divulgado pela ANEC, nesta terça-feira (13), na semana 1 de 2026, os portos brasileiros programaram o embarque de 362,2 mil toneladas de soja em grão, contra 524,2 mil toneladas registradas na mesma semana do ano anterior. Isso representa uma queda de cerca de 31% no fluxo do grão.

Em sentido oposto, o farelo de soja apresentou forte crescimento. Os embarques previstos somam 567,5 mil toneladas, praticamente o dobro das 283,8 mil toneladas embarcadas na semana equivalente de 2025, um avanço de aproximadamente 100%.

Esse movimento indica uma inversão relevante no mix exportador logo no início de 2026: menos soja bruta e mais produto processado sendo direcionado ao mercado externo.

Leitura de mercado

O aumento do farelo sugere maior ritmo de esmagamento doméstico, associado à demanda internacional por proteína vegetal para ração, especialmente em mercados da Ásia e do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o recuo da soja em grão indica que parte da oferta está sendo absorvida internamente pela indústria.

Esse padrão é consistente com um cenário de valorização do valor agregado, no qual o Brasil exporta menos matéria-prima e mais derivados, capturando margens maiores ao longo da cadeia.

Sinalização para 2026

Mesmo sendo apenas a primeira semana do ano, o dado da ANEC já aponta que o complexo soja começa 2026 com perfil mais industrializado, o que pode alterar tanto a logística portuária quanto a dinâmica de preços e estoques ao longo do primeiro trimestre.

Se esse ritmo se mantiver, o país tende a registrar maior protagonismo do farelo na pauta exportadora, com impacto direto sobre esmagadoras, demanda por grão no mercado interno e geração de valor na indústria.

Por: Anec(Associação Nacional dos Exportadores de Cereais)