Safra recorde de 2025 eleva produção a 346 milhões de toneladas e consolida liderança do Centro-Oeste

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Safra soja 2020. Fotos:Jaelson Lucas / AEN

A safra brasileira de grãos deve alcançar 346,1 milhões de toneladas em 2025, segundo a estimativa de dezembro do IBGE, uma alta de 18,2% em relação a 2024 e o maior volume da série histórica. O salto é puxado pela soja e pelo milho, reforçando o protagonismo do Centro-Oeste no abastecimento global de alimentos. A área colhida sobe para 81,6 milhões de hectares, crescimento de 3,2% sobre o ciclo anterior.

Soja, milho e algodão puxam recorde

A soja lidera com 166,1 milhões de toneladas, seguida pelo milho, que deve chegar a 141,7 milhões. Ambos devem registrar produção recorde, assim como o algodão, que alcança 9,9 milhões de toneladas.

O avanço ocorre em meio ao cenário de expansão de área e melhoria tecnológica, apesar da pressão de custos e da volatilidade do mercado internacional.

Centro-Oeste domina a produção

O Centro-Oeste concentra 51,6% da produção nacional de grãos, com 178,7 milhões de toneladas, seguido pela região Sul (86,3 milhões).
Entre os estados, Mato Grosso, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais somam quase 80% da safra nacional.

Com participação de 8,1%, Mato Grosso do Sul mantém posição estratégica na composição do volume brasileiro, com relevância crescente nos complexos soja–milho e na oferta de proteína animal, que utiliza parte da produção para ração.

2026 deve ter correção após recorde

O terceiro prognóstico do IBGE para 2026 projeta uma safra de 339,8 milhões de toneladas, queda de 1,8% frente ao recorde de 2025. O ajuste decorre, principalmente, de recuos estimados em milho, arroz, trigo e algodão, enquanto a soja deve subir 2,5%.

A área plantada segue em expansão e pode chegar a 82,7 milhões de hectares (+1,4%), com ganhos moderados em estados produtores como Mato Grosso do Sul (+0,8%).

Perspectiva

Com o recorde de 2025, o Brasil reforça a posição de maior produtor global de soja e principal fornecedor de milho ao mercado internacional. O comportamento das exportações e dos custos agrícolas deve ditar o ritmo do campo em 2026, especialmente em meio à oscilação cambial, às incertezas climáticas e ao desempenho da economia chinesa, principal destino dos grãos brasileiros.

Por: Amanda Coelho