Viés de Alta na Arroba: estabilidade segue, mas exportação sustenta o boi gordo — MS acompanha firme

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Mesmo com preços relativamente estáveis nas últimas semanas, o mercado físico do boi gordo opera com viés de alta e sustentação vinda do canal externo. Analistas apontam que a demanda internacional segue consistente, com pouca interferência de tensões no Oriente Médio — como os embargos logísticos ligados ao Irã — e também sem maior impacto das salvaguardas chinesas, que até aqui não bloqueiam o ritmo de compras do país asiático.

Segundo dados da Secex, a exportação brasileira de carne bovina in natura manteve, no fechamento de 2025, volumes mensais elevados, tendo a China como principal destino, seguida pelos Emirados Árabes e EUA. Os embarques seguem relevantes para Mato Grosso do Sul, que se consolidou como um dos maiores estados exportadores, beneficiado por logística de plantas habilitadas.

De acordo com levantamento do Cepea/Esalq (jan/26), o mercado futuro do boi também mostra sinal positivo, indicando expectativas de melhora na arroba com a redução da oferta de boiadas de confinamento ao longo do primeiro trimestre.

No campo, compradores relatam que as escalas permanecem curtas, entre 7 e 8 dias, refletindo oferta ajustada e demandando cautela no abate.

Mato Grosso do Sul: estabilidade com piso firme

No MS, os contratos de exportação seguem relevantes para frigoríficos habilitados, sobretudo para China e Oriente Médio. A arroba na praça sul-mato-grossense permanece ao redor de R$ 310,00, com estabilidade nas últimas quinzenas, mas com pouco espaço para recuo no curto prazo.

Além do fator exportador, o estado conta com melhora de carcaças em plena estação das águas, movimento que, normalmente, gera pressão baixista — porém, não foi suficiente para derrubar o mercado.

Geopolítica, China e Irã: ruído baixo no curto prazo

Apesar da presença do Irã entre os grandes compradores de carne bovina brasileira em 2024–2025 (dados Abiec), os efeitos da crise local sobre o mercado global ainda são considerados limitados, uma vez que os volumes mais sensíveis seguem concentrados na China.

As salvaguardas chinesas, por sua vez, até aqui não criaram bloqueios relevantes para o Brasil. Analistas observam que o país asiático tende a manter postura mais estratégica, evitando choque de oferta em momentos de recomposição interna do rebanho.

Média @ nos principais estados produtores

SÃO PAULO
• Boi comum: R$ 320,00
• Boi China: R$ 320,00
• Média: R$ 320,00
• Vaca: R$ 300,00
• Novilha: R$ 310,00
• Escalas: 7 dias

MINAS GERAIS
• Boi comum: R$ 310,00
• Boi China: R$ 310,00
• Média: R$ 310,00
• Vaca: R$ 290,00
• Novilha: R$ 300,00
• Escalas: 8 dias

MATO GROSSO DO SUL
• Boi comum: R$ 310,00
• Boi China: R$ 310,00
• Média: R$ 310,00
• Vaca: R$ 290,00
• Novilha: R$ 300,00
• Escalas: 7 dias

MATO GROSSO
• Boi comum: R$ 300,00
• Boi China: R$ 300,00
• Média: R$ 300,00
• Vaca: R$ 280,00
• Novilha: R$ 290,00
• Escalas: 8 dias

GOIÁS
• Boi comum: R$ 310,00
• Boi China/Europa: R$ 310,00
• Média: R$ 310,00
• Vaca: R$ 290,00
• Novilha: R$ 300,00
• Escalas: 8 dias

TOCANTINS
• Boi comum: R$ 300,00
• Boi China: R$ 300,00
• Média: R$ 300,00
• Vaca: R$ 275,00
• Novilha: R$ 285,00
• Escalas: 7 dias

PARÁ
• Boi comum: R$ 300,00
• Boi China: R$ 300,00
• Média: R$ 300,00
• Vaca: R$ 275,00
• Novilha: R$ 285,00
• Escalas: 7 dias

Expectativa para o 1º trimestre

Para o início de 2026, o mercado trabalha com possibilidade de valorização gradual, caso o ritmo de embarques seja mantido e a oferta de animais terminados siga restrita.

“O viés é positivo, com estabilidade nas cotações, escalas enxutas e um ambiente externo que segue comprador”, avaliou a Scot Consultoria em boletim recente.

Por: Henrique Theotônio