Apesar de pressões externas, MS fecha 2025 com abates em alta, mostrando a força do produtor e trabalho das entidades

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A pecuária de Mato Grosso do Sul encerrou 2025 em rota de crescimento. Segundo dados da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), tabulados pelo Departamento Técnico (Detec) da Famasul e divulgados no Boletim Casa Rural Sigabov, o estado registrou aumento de 4,52% nos abates bovinos em relação a 2024, passando de 3.962.078 para 4.141.211 cabeças no período.

O resultado coloca 2025 16% acima da média dos últimos cinco anos e consolidado como o segundo maior volume da série histórica desde 2014, quando o estado abateu 4.254.953 cabeças. Na análise por categoria, os machos representaram 51,46% do total (2.131.162 cabeças) e as fêmeas 48,54% (2.010.049 cabeças) — marca que corresponde ao maior volume de abate de fêmeas no período 2014–2025.

Apesar do ritmo forte nos frigoríficos, o rebanho estadual apresentou retração de 2,62% e fechou 2025 com 17.943.904 cabeças, frente 18.427.102 no ano anterior.

Índices de crescimento da pecuária no MS

Produtor sustenta o ciclo, apesar das pressões

O avanço dos abates ocorre em um cenário de preços pressionados no fim de 2025. Em novembro, a arroba do boi comum em MS foi negociada a R$ 317,37, leve queda de 0,73% na comparação com novembro de 2024. No mesmo recorte, a arroba da vaca recuou 2,46%, de R$ 302,16 para R$ 294,74, e a novilha caiu 0,86%, de R$ 308,88 para R$ 306,23.

Mesmo assim, quem sustentou a oferta, modernizou sistemas de produção e seguiu entregando resultado foi o produtor rural — elo que segue pressionado por custos, juros elevados e falta de sintonia do governo federal com a realidade do setor, especialmente no crédito e na previsibilidade de políticas para o agronegócio. Ainda que de forma sucinta, o contraste é evidente: quando Brasília hesita, o campo avança com trabalho, eficiência e investimento próprio.

Acrissul e Nelore MS: atuação técnica e institucional

Nesse ambiente, o papel das entidades setoriais tem sido decisivo. A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) segue atuando para ampliar mercado, defender competitividade e garantir previsibilidade ao produtor. Já a Nelore MS, dentro da associação nacional da raça, tem reforçado programas de melhoramento genético e padronização, contribuindo para ganho de carcaça, eficiência produtiva e regularidade no abastecimento da indústria.

Esses movimentos ajudam a entender por que a pecuária sul-mato-grossense segue sólida no ciclo, mesmo entre volatilidades internas e externas. Somado ao histórico exportador do estado — hoje cada vez mais protagonista nos embarques de carne bovina — o resultado consolidado de 2025 mostra que há consistência produtiva e institucional.

Enquanto o governo federal patina em políticas econômicas e rurais, o setor produtivo, organizado pelas entidades, faz o que Brasília não faz: planeja, investe e entrega.

Por: Henrique Theotônio