
A pecuária sustentável e orgânica avança como um dos segmentos mais dinâmicos do Mato Grosso do Sul e consolida o Estado na liderança da produção de baixo carbono do Pantanal. Em 2025, o abate de bovinos certificados cresceu 12%, alcançando 205,9 mil cabeças, impulsionado pelo programa estadual de incentivo fiscal e pelo maior engajamento dos produtores no atendimento de critérios ambientais e produtivos.
O resultado fez com que esses animais representassem 20% dos abates certificados no Estado, reforçando a tendência de expansão da carne diferenciada — orgânica ou sustentável — que vem ganhando mercado pela rastreabilidade, manejo tradicional e menor impacto ambiental.
Segundo Guilherme de Oliveira, diretor executivo da ABPO (Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável), a mudança ocorre dentro da porteira. “Os produtores tiveram uma mudança de rumos dentro da propriedade, com descarte de matrizes, renovação de plantel e fechamento de ciclo completo”, afirmou. Ele destaca ainda o avanço de machos inteiros, que cresceram 7,5%, aproveitando o potencial de ganho de peso com manejo natural.
Produção de baixo carbono e Pantanal preservado
A pecuária orgânica e sustentável do MS se apoia em pilares que o mercado global valoriza: rastreamento, bem-estar animal, pastagem nativa e baixa intervenção química. No Pantanal, a base produtiva ainda mantém o manejo tradicional, que utiliza áreas de campo e vazantes sem desmatamento, preservando biodiversidade e garantindo uma carne de baixo carbono que se conecta a nichos de exportação e a consumidores premium.
Para os produtores, o modelo traz mais que imagem ambiental: agrega valor à arroba, abre canais diretos com a indústria, melhora a previsibilidade e cria diferenciação comercial — fatores cada vez mais determinantes na pecuária moderna.


Incentivo fiscal acelera adesão e aumenta competitividade
Atualmente, 115 propriedades do MS participam do programa estadual, recebendo isenção de ICMS de até 67% para gado orgânico e 50% para sustentável. Desde a criação do incentivo, o governo já desembolsou R$ 24,7 milhões aos produtores certificados.
Para continuar no programa, as regras também ficam mais rigorosas: em 2025 era necessário cumprir 50% dos critérios socioambientais; para 2026, o percentual sobe para 60%. Para Oliveira, o incentivo já está financiando parte das adaptações: “Esse incentivo do governo já está pagando a implementação da rastreabilidade”.
O que isso muda na prática
O avanço da pecuária sustentável e orgânica no MS traz impactos concretos:
• Para o produtor:
- arroba mais valorizada
- previsibilidade comercial
- menor volatilidade
- integração com frigoríficos premium
• Para o Pantanal:
- manejo tradicional preservado
- áreas nativas mantidas
- baixa emissão de carbono
• Para o mercado:
- produtos certificados
- rastreabilidade confiável
- maior agregação de valor
• Para o Estado:
- segmentação da produção
- inserção em mercados de nicho
- imagem ambiental fortalecida
Próximos passos
A ABPO trabalha na ampliação do protocolo e na inclusão de propriedades de cria, etapa essencial para que o modelo sustentável ganhe escala e capilaridade no rebanho pantaneiro. A expectativa é de crescimento contínuo e atração de novos produtores ao segmento.
Com o ritmo atual, Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional em carne orgânica e sustentável, unindo ambiente, tradição, logística, incentivos e mercado — combinação rara no setor e estratégica para o futuro da pecuária.
Por: Henrique Theotônio e Amanda Coelho
