MS se firma como potência em carne orgânica e sustentável, com avanço de 12% no abate e maior rigor ambiental

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Cattle crossing a flooded area in the Mato Grosso wetland, Pocone, Mato Grosso, Brazil on November 25, 2007.

A pecuária sustentável e orgânica avança como um dos segmentos mais dinâmicos do Mato Grosso do Sul e consolida o Estado na liderança da produção de baixo carbono do Pantanal. Em 2025, o abate de bovinos certificados cresceu 12%, alcançando 205,9 mil cabeças, impulsionado pelo programa estadual de incentivo fiscal e pelo maior engajamento dos produtores no atendimento de critérios ambientais e produtivos.

O resultado fez com que esses animais representassem 20% dos abates certificados no Estado, reforçando a tendência de expansão da carne diferenciada — orgânica ou sustentável — que vem ganhando mercado pela rastreabilidade, manejo tradicional e menor impacto ambiental.

Segundo Guilherme de Oliveira, diretor executivo da ABPO (Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável), a mudança ocorre dentro da porteira. “Os produtores tiveram uma mudança de rumos dentro da propriedade, com descarte de matrizes, renovação de plantel e fechamento de ciclo completo”, afirmou. Ele destaca ainda o avanço de machos inteiros, que cresceram 7,5%, aproveitando o potencial de ganho de peso com manejo natural.

Produção de baixo carbono e Pantanal preservado

A pecuária orgânica e sustentável do MS se apoia em pilares que o mercado global valoriza: rastreamento, bem-estar animal, pastagem nativa e baixa intervenção química. No Pantanal, a base produtiva ainda mantém o manejo tradicional, que utiliza áreas de campo e vazantes sem desmatamento, preservando biodiversidade e garantindo uma carne de baixo carbono que se conecta a nichos de exportação e a consumidores premium.

Para os produtores, o modelo traz mais que imagem ambiental: agrega valor à arroba, abre canais diretos com a indústria, melhora a previsibilidade e cria diferenciação comercial — fatores cada vez mais determinantes na pecuária moderna.

Incentivo fiscal acelera adesão e aumenta competitividade

Atualmente, 115 propriedades do MS participam do programa estadual, recebendo isenção de ICMS de até 67% para gado orgânico e 50% para sustentável. Desde a criação do incentivo, o governo já desembolsou R$ 24,7 milhões aos produtores certificados.

Para continuar no programa, as regras também ficam mais rigorosas: em 2025 era necessário cumprir 50% dos critérios socioambientais; para 2026, o percentual sobe para 60%. Para Oliveira, o incentivo já está financiando parte das adaptações: “Esse incentivo do governo já está pagando a implementação da rastreabilidade”.

O que isso muda na prática

O avanço da pecuária sustentável e orgânica no MS traz impactos concretos:

• Para o produtor:

  • arroba mais valorizada
  • previsibilidade comercial
  • menor volatilidade
  • integração com frigoríficos premium

• Para o Pantanal:

  • manejo tradicional preservado
  • áreas nativas mantidas
  • baixa emissão de carbono

• Para o mercado:

  • produtos certificados
  • rastreabilidade confiável
  • maior agregação de valor

• Para o Estado:

  • segmentação da produção
  • inserção em mercados de nicho
  • imagem ambiental fortalecida

Próximos passos

A ABPO trabalha na ampliação do protocolo e na inclusão de propriedades de cria, etapa essencial para que o modelo sustentável ganhe escala e capilaridade no rebanho pantaneiro. A expectativa é de crescimento contínuo e atração de novos produtores ao segmento.

Com o ritmo atual, Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional em carne orgânica e sustentável, unindo ambiente, tradição, logística, incentivos e mercado — combinação rara no setor e estratégica para o futuro da pecuária.

Por: Henrique Theotônio e Amanda Coelho