
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na noite desta quarta-feira (28), manter a taxa básica de juros em 15,0% ao ano. A decisão foi unânime e já era amplamente esperada pelo mercado, conforme apontavam 36 das 37 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast.
Com o anúncio, esta passa a ser a quinta reunião consecutiva em que o Banco Central opta por manter o patamar da Selic, após um dos ciclos de aperto monetário mais intensos das últimas duas décadas. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em 4,50 pontos percentuais, configurando o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos — atrás apenas do movimento registrado entre março de 2021 e agosto de 2022, no pós-pandemia, quando os juros subiram 11,75 pontos.
Apesar da manutenção da Selic, o comunicado do Copom trouxe um tom considerado mais “dovish” pelo mercado ao sinalizar a possibilidade de início do processo de flexibilização monetária já na próxima reunião, em março, caso o cenário projetado se confirme. O colegiado, no entanto, reforçou que seguirá atento ao controle inflacionário e que manterá “a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
A sinalização foi suficiente para provocar ajustes relevantes no mercado futuro de juros. Na manhã desta quinta-feira (29), as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuavam em toda a curva, refletindo a expectativa de cortes à frente, possivelmente na ordem de 50 pontos-base. Às 9h11, o DI com vencimento em janeiro de 2027 caía para 13,470%, ante 13,526% no ajuste anterior. Já o contrato para janeiro de 2029 recuava para 12,685%, enquanto o DI de janeiro de 2031 cedia para 13,020%.
Além do discurso do Copom, a queda do dólar frente ao real também contribuiu para o alívio nas taxas futuras, reforçando a percepção de que o ciclo de juros elevados pode estar próximo do fim, desde que o cenário inflacionário siga sob controle.
Por: Amanda Coelho
