
A pressão das entidades do agronegócio brasileiro levou o governo federal a adotar uma medida emergencial para conter o avanço dos custos de produção no campo. Em meio à alta do petróleo no mercado internacional, provocada pelas tensões no Oriente Médio, o governo anunciou a redução temporária de tributos federais que incidem sobre o óleo diesel, atendendo a um pedido formal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A mobilização do setor contou com a participação direta do presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, que também atua como diretor-secretário da CNA. Ele participou das discussões que resultaram na solicitação encaminhada ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
A preocupação do setor surgiu após a escalada nas cotações do petróleo no mercado internacional, reflexo das instabilidades geopolíticas no Oriente Médio. O aumento do preço do barril pressiona diretamente o valor do diesel no Brasil, combustível essencial para a operação de máquinas agrícolas e para o transporte da produção.
Impacto direto no agro de Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o alerta é ainda maior. O estado vive um período intenso de atividades no campo, com a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho, operações que dependem fortemente do consumo de diesel.
Segundo Marcelo Bertoni, o aumento do preço do combustível gera um efeito em cadeia em toda a cadeia produtiva.

“O aumento do preço do diesel gera um efeito em cadeia na atividade agropecuária, pressionando custos logísticos, fretes e insumos”, afirmou.
A dependência do transporte rodoviário também aumenta a sensibilidade do setor no estado. Grande parte da produção de grãos sul-mato-grossense percorre milhares de quilômetros até portos do Sudeste e Sul do país.
Margens pressionadas
O cenário preocupa os produtores rurais, principalmente em um momento em que algumas commodities enfrentam queda de preços no mercado internacional.
Bertoni alerta que o aumento dos custos operacionais pode comprometer a rentabilidade das propriedades rurais.
“Esse aumento nos custos de produção traz instabilidade para o setor em um momento em que a soja teve uma queda significativa de preço, reduzindo muito a margem de lucro ou até eliminando essa margem”, explicou.

Reflexo pode chegar aos alimentos
Segundo as entidades do setor, o impacto da alta do diesel pode se estender além das porteiras das fazendas e atingir diretamente o consumidor.
“Essa é uma preocupação. Que isso não reflita apenas para o produtor rural, mas que também possa chegar à gôndola do supermercado, onde a população acaba pagando o preço junto com todos nós”, alertou Bertoni.
Pedido das entidades
A solicitação apresentada pela CNA pediu a redução imediata dos tributos federais que incidem sobre a cadeia do diesel, incluindo importação, produção, distribuição e comercialização do combustível.
Entre os tributos citados estão:
- Programa de Integração Social (PIS)
- Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep)
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
Juntos, esses impostos representam cerca de 10,5% do valor final do diesel comercializado no Brasil.
Para o Sistema Famasul, a decisão do governo demonstra a importância da articulação institucional do setor agropecuário na defesa da competitividade da produção brasileira.
A expectativa agora é que a redução temporária dos tributos ajude a aliviar a pressão sobre os custos logísticos do agro e evite novos aumentos no preço dos alimentos.
Por: Amanda Coelho
Com informações Famasul e CNN Agro
