
Um dos principais gargalos históricos do agro sul-mato-grossense — a limitação no fornecimento de energia elétrica no campo — entrou de vez na agenda estratégica do Estado. Nesta quinta-feira (19), o Governo de Mato Grosso do Sul lançou, em parceria com a Energisa MS, o programa MS Trifásico, iniciativa que promete ampliar a capacidade energética nas propriedades rurais e impulsionar a produção no interior.
O anúncio ocorre em meio a uma demanda antiga do setor produtivo. Recentemente, a Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) esteve reunida com a diretoria da Energisa para discutir justamente os entraves na distribuição de energia no meio rural, problema que limita investimentos, reduz produtividade e trava a expansão de diversas atividades no campo.
O programa prevê um investimento de aproximadamente R$ 172 milhões para a implantação de cerca de 2 mil quilômetros de rede trifásica, além da instalação de 500 transformadores, com alcance direto estimado em 15 mil produtores rurais, incluindo agricultores familiares, assentamentos e empreendedores do setor.
Na prática, a proposta mira um ponto sensível da produção agropecuária: a falta de energia de qualidade, que ainda impede a modernização de propriedades, o uso de tecnologia e a expansão de atividades como irrigação, armazenagem e agroindustrialização.
Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o programa representa um salto estrutural para o setor produtivo.
“O MS Trifásico é um investimento direto na competitividade do produtor rural. Energia de qualidade significa modernização, aumento de produtividade e mais renda no campo, além de criar condições para atrair novos investimentos para o interior do Estado”, afirmou.
A execução será feita em etapas entre 2026 e 2028, priorizando regiões com forte vocação produtiva e áreas onde a expansão da rede, por critérios de mercado, historicamente não avançou.

Para o diretor-presidente da Energisa MS, Paulo Roberto dos Santos, a iniciativa também corrige distorções no atendimento rural, especialmente em assentamentos.
“A rede trifásica amplia a capacidade produtiva e permite que esses produtores avancem na comercialização e até na industrialização. Não é apenas energia, é infraestrutura para desenvolvimento”, destacou.
Infraestrutura ainda é gargalo no campo
A adoção do sistema trifásico representa um avanço significativo no padrão energético do meio rural. Diferente da rede convencional, ele oferece maior potência e estabilidade, essenciais para o funcionamento de equipamentos como motores, pivôs de irrigação, câmaras frias e estruturas de beneficiamento.
Apesar do avanço, a questão energética ainda é vista como um dos principais gargalos do agro em Mato Grosso do Sul — ponto frequentemente levantado por entidades como a própria Acrissul, que tem intensificado o diálogo com concessionárias e o poder público em busca de soluções estruturais.
Primeira etapa já definida
A fase inicial do programa prevê investimento de R$ 38,9 milhões, com atendimento a 2.582 propriedades rurais e 25 assentamentos, em municípios como Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito e Nioaque, com impacto direto estimado em cerca de 7,7 mil pessoas.
Por: Amanda Coelho
