Expogrande 2026 entra para a história: recorde de público, R$ 854 milhões em negócios e a força de um evento que move todo Mato Grosso do Sul

Compartilhe:

A Expogrande vai muito além dos números — ela faz parte da memória afetiva de Campo Grande. A cada ano, famílias inteiras aguardam a chegada da feira como um momento de lazer, encontro e tradição. Para muitos, é o passeio que atravessa gerações: crianças que hoje visitam o parque ao lado dos pais repetem uma história vivida décadas atrás. Jovens, produtores, empresários e a população urbana encontram na feira um espaço comum, onde o campo e a cidade se conectam.

Consolidada como uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil — frequentemente posicionada entre as cinco principais do país — a Expogrande reafirma sua grandiosidade a cada edição. Em 2026, o evento entrou para a história ao atingir R$ 854,5 milhões em movimentação econômica, um crescimento de quase 34% em relação ao ano anterior. Realizada no Parque de Exposições Laucídio Coelho, a feira reuniu cerca de 250 expositores e reforçou seu papel como um dos principais ambientes de negócios do agronegócio brasileiro.

O público também impressionou. Ao todo, 130.054 pessoas passaram pelos portões durante os dias de evento — sendo sete deles com entrada gratuita. Só na abertura, em 9 de abril, aproximadamente 39 mil visitantes estiveram presentes, demonstrando a força e o apelo popular da feira, que segue como um dos maiores eventos já realizados no Estado em termos de engajamento e participação.

Esse resultado é reflexo de uma construção coletiva. A força das parcerias institucionais e privadas foi determinante para o sucesso da feira, que ofereceu uma programação diversificada com palestras técnicas, encontros setoriais, circuitos de conversas e rodadas de negócios. A Expogrande se consolida, assim, não apenas como vitrine do agronegócio, mas como um ambiente estratégico de conhecimento, inovação e articulação entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

Um dos destaques foi a atuação do Sebrae/MS, que promoveu rodadas de negócios reunindo cerca de 70 participantes e gerando mais de R$ 18 milhões em novas parcerias. Além disso, durante reunião do Conselho Deliberativo do FCO realizada dentro da feira, foram aprovadas 72 cartas-consulta — 20 do FCO Empresarial e 52 do FCO Rural — totalizando aproximadamente R$ 122 milhões em investimentos destinados ao fortalecimento do setor produtivo sul-mato-grossense.

A Fazendinha da Acrissul, totalmente reformulada, novamente foi um dos espaços mais procurados. O projeto recebeu 20 escolas e 1.445 alunos, além de um público geral estimado em mais de 45 mil pessoas. A iniciativa segue cumprindo um papel essencial de aproximar o agro das novas gerações, mostrando na prática de onde vem o alimento que chega à mesa dos brasileiros.

A feira também teve um olhar atento à inclusão social. Famílias atípicas contaram com um dia especial dentro da programação, com atividades adaptadas, ecoterapia, visitas à Fazendinha e espaços de lazer. Além disso, houve atendimento social com orientações e acesso a programas públicos, ampliando o alcance social do evento.

Outro pilar fundamental da Expogrande são os leilões e os julgamentos de raças, que desempenham papel decisivo no fortalecimento da pecuária sul-mato-grossense. Ao todo, foram realizados 24 leilões, que movimentaram R$ 51,2 milhões — crescimento de 65% em relação ao ano anterior — com a comercialização de 9.153 animais. O bom momento da pecuária, com a arroba acima de R$ 360, refletiu diretamente na liquidez total dos remates e na valorização do gado de reposição, especialmente a bezerrada.

Entre os destaques, o Leilão de Corte Virtual Pantanal Expogrande atingiu faturamento recorde de R$ 10,2 milhões, com a venda de 2.911 animais e média de R$ 3.510 por cabeça. Já o Leilão Lendas do Corte movimentou R$ 8,7 milhões. No segmento de equinos, a raça Quarto de Milha também se destacou, com o 19º Leilão QM LB e Convidados alcançando R$ 4,2 milhões, além dos R$ 3 milhões movimentados no tradicional Leilão Max QM.

A presença das principais instituições financeiras também foi determinante para o desempenho da feira, garantindo crédito abundante, com juros competitivos e linhas especiais voltadas ao produtor rural — fator que impulsionou negócios e ampliou oportunidades dentro do parque.

A relevância da Expogrande ultrapassa os portões do Parque de Exposições. Durante os dias de evento, toda a economia de Campo Grande é impactada positivamente — do comércio à rede hoteleira, da gastronomia ao setor de serviços. A feira funciona como uma vitrine para Mato Grosso do Sul, atraindo visitantes, investidores e projetando o Estado no cenário nacional.

“O crescimento da Expogrande é fruto de um trabalho construído ao longo dos anos, com cada vez mais confiança do público e dos produtores. Hoje, a feira se consolidou como um ambiente real de negócios, com boas condições comerciais, qualidade dos animais ofertados e um momento positivo da pecuária, que impulsiona os resultados”, afirma o presidente da Acrissul, Guilherme de Barros Bumlai.

“Nesta edição houve a presença novamente de quatro instituições financeiras, o que garantiu a oferta de crédito abundante, com juros competitivos e linhas especiais para os produtores rurais na Expogrande”, completa.

Para Bumlai, o resultado resume o tamanho do evento: “Foi uma Expogrande para ficar na história”.

Mais do que uma feira, a Expogrande é um símbolo. Um evento que reúne tradição, negócios, conhecimento e, principalmente, pessoas — mantendo viva a conexão entre o campo e a cidade e reafirmando Mato Grosso do Sul como protagonista no agronegócio brasileiro.

Por: Henrqiue Theotônio e Amanda Coelho
Fotos: Rural Frame