Orçamento sob pressão expõe riscos à Embrapa e ao seguro rural e acende alerta no agro

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As limitações orçamentárias enfrentadas pelo governo federal voltaram a colocar em evidência dois pilares estratégicos do agronegócio brasileiro: a Embrapa e o seguro rural. Durante agenda nesta quinta-feira (23), o ministro da Agricultura, André de Paula, reconheceu as dificuldades e afirmou que o governo ainda busca alternativas para lidar com o cenário.

“São dificuldades que estão presentes, precisam ser resolvidas e a gente está discutindo apenas como enfrentar”, disse o ministro após visita à Embrapa Cerrados.

A declaração ocorre em meio à mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que articula a derrubada de vetos do Executivo que impactam diretamente recursos destinados à pesquisa agropecuária e à política de proteção ao produtor rural.

A preocupação no setor é direta. A Embrapa, considerada o principal centro de pesquisa agropecuária do país, tem papel fundamental no desenvolvimento tecnológico que sustenta a produtividade no campo brasileiro. Responsável por avanços que transformaram o Brasil em potência agrícola tropical, a estatal é vista como peça-chave para manter competitividade, inovação e sustentabilidade no setor.

Já o seguro rural, por sua vez, é apontado por entidades do agro como um instrumento essencial para garantir segurança financeira ao produtor diante de perdas climáticas — um risco cada vez mais frequente. A redução de recursos ou atrasos no pagamento de subvenções ampliam a exposição dos produtores, especialmente médios e pequenos.

Nos bastidores, a avaliação de representantes do setor é de que o cenário orçamentário fragiliza estruturas que sustentam diretamente a produção agropecuária — justamente um dos segmentos que mais contribuem para o equilíbrio da balança comercial e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Apesar da pressão, o ministro evitou antecipar o desfecho das votações no Congresso e destacou a necessidade de diálogo com o Legislativo.

“Vamos aguardar os debates, vamos ver o que vai ser dessa votação”, afirmou.

Outro ponto que tem gerado tensão no campo é a adoção do Prodes — sistema de monitoramento de desmatamento por satélite — como critério para concessão de crédito rural pelos bancos desde 1º de abril. A medida vem sendo questionada por produtores, que apontam insegurança jurídica e possíveis restrições ao acesso a financiamento.

O governo afirma que o tema está sendo tratado internamente. “Estamos trabalhando isso com muita obstinação”, disse o ministro.

Enquanto as discussões avançam em Brasília, o setor produtivo acompanha com cautela. Em jogo, segundo especialistas e entidades, não estão apenas ajustes fiscais, mas a manutenção de instrumentos considerados estratégicos para garantir produtividade, estabilidade e crescimento do agronegócio brasileiro.

Por: Amanda Coelho