Falta de vacinas contra clostridioses acende alerta no campo; MAPA e indústria ampliam produção para evitar prejuízos ao rebanho

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A escassez de vacinas contra clostridioses no Brasil passou a preocupar produtores rurais e autoridades sanitárias, principalmente em estados com forte presença da pecuária bovina, como Mato Grosso do Sul. O problema, confirmado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), já mobiliza ações emergenciais da indústria veterinária e do governo federal para evitar impactos sanitários no rebanho nacional.

As clostridioses são doenças bacterianas consideradas altamente agressivas, capazes de provocar mortes súbitas em bovinos, principalmente em animais jovens e em sistemas de produção intensiva. A vacinação é considerada a principal ferramenta de prevenção.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o desabastecimento ocorreu após decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e comercialização dos imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026.

Apesar do cenário de preocupação, o superintendente do Ministério da Agricultura em Mato Grosso do Sul, José Antônio Roldão, afirmou que o governo já atua diretamente junto às indústrias para recompor os estoques e minimizar os impactos aos produtores.

“Quando você diminui a instrumentalização para controlar ou prevenir uma enfermidade, isso evidentemente causa prejuízo e reduz o potencial de controle da doença. O ideal seria não haver déficit em nenhum momento, mas, diante desse caso pontual, o Ministério já tomou as providências necessárias”, afirmou.

MS reforça monitoramento e medidas preventivas nas propriedades rurais
Mato Grosso do Sul possui um dos maiores rebanhos bovinos do país, com mais de 18 milhões de cabeças, segundo dados da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). Diante do cenário de desabastecimento das vacinas contra clostridioses, o estado intensificou o acompanhamento sanitário nas propriedades e ampliou as orientações técnicas aos produtores rurais.

Apesar da preocupação do setor produtivo, autoridades sanitárias avaliam que o sistema de vigilância adotado em Mato Grosso do Sul tem sido eficiente no monitoramento das propriedades e no controle preventivo da doença até a normalização do abastecimento das vacinas. A Iagro segue acompanhando a situação junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e reforçando protocolos de manejo sanitário para reduzir riscos ao rebanho.

Mato Grosso do Sul possui o 5º maior rebanho bovino do Brasil – Foto: Edemir Rodrigues

Entre os principais sinais clínicos associados às clostridioses estão mortes repentinas, dificuldade de locomoção, febre, perda de apetite, apatia e lesões musculares. A orientação é que produtores mantenham acompanhamento veterinário constante, reforcem protocolos sanitários e observem imediatamente qualquer alteração no comportamento dos animais.

Roldão reforçou que o problema não afeta diretamente os protocolos de exportação do Brasil, já que as clostridioses não fazem parte das enfermidades de controle oficial obrigatório internacional, como ocorre com a febre aftosa.

“Acredito que não haverá impacto nas exportações, porque não se trata de uma enfermidade de controle obrigatório do Ministério. Mas, para o produtor, ela causa morte e prejuízo econômico. Por isso precisamos manter vigilância constante e agir rapidamente”, destacou.

Acesse a nota do MAPA clicando aqui.

Governo acelera produção e importação
Para tentar normalizar o abastecimento, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) iniciou um levantamento nacional da demanda de vacinas e acionou o Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), entidade que representa os fabricantes do setor veterinário.

De acordo com o governo federal, a indústria informou que irá ampliar a produção nacional e, caso necessário, aumentar também as importações para suprir o déficit.

“O Ministério não produz vacinas. Então acionamos quem produz. O Sindan informou que vai ampliar a fabricação e também poderá importar produtos para atender a necessidade do país”, explicou Roldão.

Ainda segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), procedimentos de fiscalização e liberação foram acelerados para garantir maior rapidez na entrada dos imunizantes no mercado brasileiro. O órgão informou que está utilizando mecanismos previstos na Instrução Normativa nº 30/2018, que prevê trâmites mais rápidos para produção e importação em situações emergenciais.

Somente entre março e abril de 2026, o governo federal liberou 14,6 milhões de doses de vacinas contra clostridioses, entre produtos nacionais e importados.

Já o Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal) informou ao governo, no último dia 5 de maio, que a previsão inicial é entregar entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação da oferta no segundo semestre. A expectativa é que mais de 100 milhões de doses estejam disponíveis no mercado até o final de 2026.

Cuidados imediatos no campo
Enquanto o abastecimento não é totalmente normalizado, especialistas orientam os produtores rurais a redobrarem os cuidados sanitários nas propriedades.

Entre as principais recomendações estão:

  • monitoramento diário do rebanho;
  • isolamento imediato de animais com sintomas;
  • reforço da higiene em instalações e manejo;
  • acompanhamento veterinário contínuo;
  • atenção especial a animais jovens e recém-desmamados;
  • manutenção rigorosa do calendário sanitário disponível.

O setor produtivo acompanha a situação com preocupação, principalmente pelo risco econômico associado à mortalidade de animais. Em Mato Grosso do Sul, onde a pecuária representa uma das principais forças econômicas, o tema já mobiliza entidades do agro e autoridades sanitárias.

Por: Amanda Coelho – Caderno Agro
Produção: Henrique Theotônio – Caderno Agro