
A inflação no Brasil segue pressionando o bolso do consumidor, enquanto o mercado financeiro mantém cautela nas projeções para o crescimento da economia nos próximos anos. Dados divulgados nesta segunda-feira (18) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Banco Central mostram desaceleração em alguns índices de preços, mas ainda com impactos importantes em setores como alimentação, energia e construção civil.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-10) subiu 0,89% em maio, após registrar alta de 2,94% em abril. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 1,11%, conforme levantamento do Projeções Broadcast. No acumulado do ano, o índice registra alta de 3,48%. Em 12 meses, porém, o indicador aponta avanço mais moderado, de 1,46%.
De acordo com a FGV, a desaceleração do índice ocorre após os reflexos diretos e indiretos da tensão geopolítica envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que haviam pressionado os preços no mês anterior. Entre os componentes do IGP-10, o maior peso continua vindo do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede os preços no atacado e avançou 0,95% em maio.
Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), também divulgado pela FGV, desacelerou para 0,66% na segunda quadrissemana de maio, após marcar 0,75% na leitura anterior. O indicador acumula alta de 4,17% nos últimos 12 meses.
Os combustíveis ajudaram a aliviar parte da pressão inflacionária. Segundo a FGV, gasolina e etanol tiveram queda nos preços, assim como itens como café em pó, maçã e frango em pedaços. Por outro lado, produtos básicos seguem pressionando o orçamento das famílias, principalmente a batata inglesa e o leite longa vida, além do aumento na tarifa de energia elétrica residencial.
No cenário macroeconômico, o mercado financeiro manteve praticamente estável a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026. Segundo o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções segue em 1,85%. Já o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa mais otimista, projetando crescimento de 2,33% para a economia brasileira.
O Banco Central, por sua vez, adota uma visão mais conservadora e prevê expansão de 1,6%, conforme o Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre.
Para 2027, o mercado projeta crescimento de 1,77%. Já para 2028 e 2029, as estimativas permanecem em 2%, demonstrando que o setor financeiro enxerga uma recuperação lenta e gradual da atividade econômica brasileira nos próximos anos.
Os números divulgados nesta segunda-feira reforçam um cenário de desaceleração parcial da inflação, mas ainda cercado por incertezas globais e pressões internas sobre consumo, energia e alimentos. Enquanto alguns indicadores mostram alívio pontual, especialistas avaliam que o custo de vida segue elevado para grande parte da população e continua sendo um dos principais desafios da economia brasileira.
Por: Amanda Coelho
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