Câmara aprova projeto que reforça direito de defesa no campo e dá mais segurança jurídica ao produtor rural

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Foto: Agência Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (20) o Projeto de Lei 2.564/2025, proposta que busca impedir embargos ambientais automáticos aplicados exclusivamente com base em imagens de satélite, sem vistoria presencial ou garantia de defesa prévia ao produtor rural. A matéria, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), segue agora para análise do Senado Federal.

O texto mantém a fiscalização ambiental e a aplicação de medidas cautelares em casos de irregularidades, mas estabelece que sanções não poderão ser impostas de forma antecipada apenas por interpretações remotas feitas por sistemas de monitoramento. A proposta reforça a necessidade de contraditório, análise técnica e oportunidade de defesa antes de restrições que possam afetar diretamente a produção agropecuária e o acesso ao crédito rural.

A aprovação do projeto foi comemorada por representantes do setor produtivo, que há anos criticam situações em que propriedades acabam embargadas por interpretações equivocadas de imagens de satélite. Segundo parlamentares ligados à FPA, houve casos de áreas produtivas confundidas com desmatamento, mesmo quando existiam autorizações legais ou manejo agrícola regular.

Durante a votação, a vice-presidente da FPA para a região Centro-Oeste, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), afirmou que muitos produtores amanhecem com propriedades embargadas apenas por apontamentos remotos, sem fiscalização presencial ou direito de defesa.

O autor da proposta, deputado Lucio Mosquini (PL-RO), também argumentou que imagens de satélite, isoladamente, não conseguem identificar situações específicas da propriedade, como licenças ambientais válidas, quedas naturais de árvores ou práticas de manejo autorizadas.

Depª. Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Dep. Pedro Lupion (Republicanos-PR),e Dep. Lucio Mosquini (PL-RO)

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), lembrou episódios em que produtores enfrentaram dificuldades até mesmo para obtenção de crédito rural devido a registros equivocados em sistemas de monitoramento ambiental.

Para lideranças do agro, o projeto não representa enfraquecimento da fiscalização ambiental, mas sim uma tentativa de evitar injustiças e garantir segurança jurídica no campo. O texto preserva a atuação dos órgãos ambientais, mas exige que punições sejam baseadas em critérios técnicos mais amplos e no devido processo legal.

O presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, afirmou que a medida corrige distorções que vinham prejudicando produtores rurais em diversas regiões do país.

“Muitas vezes os produtores recebem multas baseadas apenas em imagens de satélite que não correspondem à realidade fática do imóvel. Há situações em que se confunde limpeza de área, manejo ou recuperação com desmatamento ilegal. Esse projeto é importantíssimo porque traz mais equilíbrio, garante direito de defesa e evita que produtores sérios sejam penalizados injustamente”, destacou Bumlai.

Presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai – Foto: Divulgação

A avaliação de entidades do setor é de que a proposta cria um ambiente de maior previsibilidade para quem produz, sem comprometer a preservação ambiental. O projeto agora depende da aprovação do Senado e, posteriormente, de sanção presidencial para entrar em vigor.

Por: Fabíola Camilo