
O Brasil segue como principal fornecedor de carne bovina para os Estados Unidos em 2026. Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que os norte-americanos importaram 775,2 mil toneladas da proteína no primeiro trimestre do ano, volume 15% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Dentro desse cenário, o Brasil liderou o ranking dos exportadores ao mercado norte-americano, com embarques de aproximadamente 178,9 mil toneladas entre janeiro e março, crescimento de 8% em relação às 165,9 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano passado.
A participação brasileira nas importações totais dos EUA ficou em 23%, mantendo o país na liderança, embora com uma pequena redução em relação aos 24,7% observados no primeiro trimestre de 2025.
Segundo os números do USDA, a Austrália aparece na segunda posição, com 151,4 mil toneladas embarcadas para os Estados Unidos, seguida por Canadá, México e Nova Zelândia.
Demanda aquecida impulsiona mercado
A procura por carne bovina continua forte nos Estados Unidos, especialmente para abastecimento da indústria de processamento. Somente em março, as importações norte-americanas cresceram 19% na comparação anual, alcançando cerca de 271,7 mil toneladas.
Entre os países que mais ampliaram as vendas no período estão Brasil, Austrália, México e Uruguai. O México, inclusive, registrou recorde histórico de exportações para os EUA em um único mês, ultrapassando 34 mil toneladas.
O USDA destaca que o ritmo elevado das compras deverá continuar ao longo do ano. As projeções oficiais foram revisadas para cima e apontam importações totais de 2,77 milhões de toneladas em 2026, alta de 12% frente ao ano anterior.
Reflexos para Mato Grosso do Sul
O desempenho do mercado norte-americano é acompanhado de perto pelo setor pecuário de Mato Grosso do Sul, um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do Brasil.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a carne bovina permanece entre os principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense. O estado abriga grandes frigoríficos habilitados para exportação e possui um rebanho superior a 18 milhões de cabeças, figurando entre os maiores do país.

Embora a China continue sendo o principal destino da carne brasileira, o mercado dos Estados Unidos ganhou relevância nos últimos anos, especialmente diante da forte demanda por carne magra destinada à produção de hambúrgueres e produtos processados.
Para representantes do setor, a expansão das compras norte-americanas reforça a competitividade da pecuária brasileira e ajuda a diversificar os mercados atendidos pelos frigoríficos nacionais, reduzindo a dependência de um único comprador.
Perspectiva para 2027
Apesar do cenário positivo para este ano, o USDA prevê uma leve redução das importações norte-americanas em 2027, estimadas em cerca de 2,72 milhões de toneladas, queda de 2% em relação a 2026.
A expectativa é de menor oferta global de carne bovina, já que importantes países exportadores devem desacelerar seus ciclos de produção ou reduzir a disponibilidade de animais para abate, limitando o volume destinado ao comércio internacional.
Da redação do Caderno Agro
Com informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)
