Clima preocupa produtores e mantém preços do trigo em alta no mercado brasileiro

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Os preços do trigo seguem em trajetória de alta nas principais regiões produtoras do Brasil, impulsionados pela menor oferta disponível no mercado e pelas preocupações em relação ao desenvolvimento da próxima safra.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que as negociações continuam ocorrendo de forma pontual, reflexo da disponibilidade mais restrita do cereal no mercado spot. Esse cenário tem contribuído para a sustentação das cotações e para a cautela dos agentes do setor.

Além da oferta limitada, as atenções estão voltadas para as condições climáticas que poderão influenciar a safra 2026/27. A previsão de maior volume de chuvas durante o ciclo produtivo, especialmente nos estados da Região Sul, preocupa produtores, cooperativas e compradores.

Segundo especialistas, o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos grãos, afetando características importantes para a indústria moageira e reduzindo o potencial de comercialização do produto. Diante desse cenário, tanto vendedores quanto compradores seguem adotando uma postura mais conservadora nas negociações.

Enquanto o mercado monitora o clima, os trabalhos de plantio avançam nas principais regiões produtoras. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até o dia 12 de junho, 59,5% da área prevista para a safra de trigo já havia sido semeada no Brasil.

Em alguns estados, o plantio foi praticamente concluído. Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul já finalizaram os trabalhos. Em Goiás, a semeadura alcançava 99% da área projetada, enquanto o Paraná registrava 78%. Na Bahia, o índice chegava a 60%, no Rio Grande do Sul a 36% e em Santa Catarina a 7,3%.

A combinação entre oferta restrita e incertezas climáticas mantém o mercado atento aos próximos meses. O comportamento do clima durante o desenvolvimento das lavouras será decisivo para determinar a qualidade da produção e o rumo dos preços do trigo no segundo semestre.

Por: Cepea e Conab.