Rota Bioceânica avança sob liderança de Mato Grosso do Sul e já impulsiona turismo, comércio e novos investimentos

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Mato Grosso do Sul está cada vez mais próximo de se consolidar como a principal porta de entrada do Brasil para os mercados do Pacífico. A construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, já alcançou 90% de execução e representa um dos maiores projetos de integração logística da história recente da América do Sul.

Muito antes da conclusão das obras, os reflexos econômicos já podem ser percebidos. O turismo cresce, empresários ampliam investimentos e municípios se preparam para receber um novo fluxo de pessoas, mercadorias e oportunidades. O avanço é resultado de um trabalho articulado do Governo de Mato Grosso do Sul, que há anos lidera as discussões internacionais envolvendo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para viabilizar o corredor.

A chamada Rota Bioceânica terá cerca de 3,9 mil quilômetros de extensão, conectando os portos brasileiros do Atlântico aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no Oceano Pacífico. A nova ligação promete reduzir em até duas semanas o tempo de transporte de mercadorias destinadas aos mercados asiáticos, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros.

Obra da ponte que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta no Paraguai – Foto: Divulgação Secom

Governo de MS transformou a rota em prioridade estratégica

Desde o início das tratativas internacionais, o Governo do Estado assumiu papel protagonista na articulação institucional do projeto. Por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Mato Grosso do Sul coordena ações voltadas à integração logística, harmonização regulatória e desenvolvimento econômico dos municípios envolvidos.

O secretário da Semadesc, Artur Falcette, destaca que a rota vai muito além da redução de custos logísticos.

“Tudo isso gera oportunidades para harmonização regulatória e implementação de medidas de facilitação do comércio. Além de impulsionar o desenvolvimento produtivo e a inclusão econômica de áreas isoladas”, afirmou.

A gestão do governador Eduardo Riedel tem tratado a Rota Bioceânica como uma das principais alavancas de desenvolvimento econômico do Estado, fortalecendo relações diplomáticas, atraindo investidores e preparando a infraestrutura necessária para o novo cenário comercial.

Turismo já sente os efeitos da integração

Embora a logística seja o principal objetivo do corredor, o turismo tem sido o primeiro setor a colher resultados concretos. A expectativa dos governos regionais envolvidos é de crescimento entre 30% e 70% no fluxo turístico nos primeiros anos de funcionamento da rota.

Segundo a assessora especial de integração do Corredor Bioceânico na Semadesc, Danniele Paiva, os impactos já são visíveis. “Isso considerando apenas o fluxo rodoviário no turismo, mas o crescimento pode ser maior se houver abertura de voos. Com a mobilização dos municípios, o impacto na área turística é o primeiro observado”, explicou.

Em Porto Murtinho, visitantes já procuram a região para conhecer de perto as obras da ponte, considerada um símbolo da integração continental.

Pelo Rio Paraguai, turistas fazem passeio para visitar a obra da ponte – Foto: Divulgação

Porto Murtinho vive nova realidade econômica

O movimento crescente de turistas e empresários tem transformado Porto Murtinho em um dos municípios mais estratégicos de Mato Grosso do Sul.

A turismóloga Annice Dias, pioneira no setor turístico local, relata aumento na procura por roteiros envolvendo a futura rota internacional.

“O fluxo de visitantes já tem aumentado. Recebo solicitações do Paraguai para o Brasil, principalmente para Bonito, Jardim, Bodoquena e Campo Grande”, afirma.

A empresária também passou a oferecer passeios voltados à própria obra da ponte, incluindo navegação pelo Rio Paraguai e roteiros de cicloturismo que cruzam a fronteira.

Além da pesca esportiva, tradicional atividade econômica da região, surgem novas oportunidades ligadas ao turismo de experiência, ecoturismo e integração cultural entre os países.

Empresários ampliam investimentos de olho na nova logística

O setor privado também demonstra confiança no projeto. Em Jardim, município localizado no eixo estratégico da rota, o empresário Luiz Carlos Malacarne, do setor de distribuição de combustíveis, já investe em infraestrutura para atender a futura demanda.

“A rota é uma oportunidade muito grande para nós da região. Estamos investindo em sistemas, treinamento e infraestrutura. Acreditamos no aumento da movimentação econômica e estamos nos preparando para isso”, destacou.

Segundo ele, a expectativa é ampliar em até 30% a capacidade de atendimento da empresa após a conclusão do corredor.

Empresário Luiz Carlos, de Jardim, está confiante e se prepara para as operações – Foto: Divulgação

Nova fronteira para o agro de Mato Grosso do Sul

Para o agronegócio sul-mato-grossense, a Rota Bioceânica representa uma mudança histórica.

Mato Grosso do Sul é um dos maiores produtores brasileiros de soja, milho, celulose, carne bovina e proteína animal. Com a nova conexão logística, os produtos do Estado terão acesso mais rápido e competitivo aos mercados asiáticos, especialmente China, Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático.

A redução de custos com transporte pode aumentar a rentabilidade dos produtores, estimular novos investimentos industriais e fortalecer a posição de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos exportadores do país.

Um projeto que reposiciona Mato Grosso do Sul no mapa mundial

Com a ponte internacional próxima da conclusão e os últimos ajustes de infraestrutura em andamento, a Rota Bioceânica deixa de ser apenas um projeto de integração para se tornar uma realidade concreta.

Graças ao trabalho de articulação liderado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, o Estado caminha para ocupar uma posição estratégica no comércio internacional, consolidando-se como elo fundamental entre o Brasil, os países vizinhos e os mercados do Pacífico.

Mais do que uma estrada, a Rota Bioceânica representa uma nova fronteira de desenvolvimento, capaz de gerar empregos, atrair investimentos e transformar a economia sul-mato-grossense nas próximas décadas.

Por: Amanda Coelho