
A cadeia da soja vive um momento de contrastes. Enquanto o consumidor brasileiro encontra o óleo de soja mais barato nas prateleiras, impulsionado pela safra recorde e pela ampla oferta da oleaginosa, o mercado de grãos segue sustentado por uma demanda internacional aquecida e por incertezas geopolíticas que mantêm os preços da soja em patamares elevados.
Levantamento da Associação Paulista de Supermercados (Apas), elaborado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostra que o preço do óleo de soja recuou 1,28% em maio e acumula queda de 10,20% em 2026. O principal motivo é o expressivo aumento da produção brasileira, que ampliou a disponibilidade de matéria-prima para a indústria e elevou a oferta do produto no mercado.
Segundo o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, a colheita praticamente concluída confirmou mais uma safra histórica no país. A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta uma produção brasileira próxima de 180 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como o maior produtor mundial da oleaginosa.
Além do desempenho brasileiro, o mercado internacional também contribui para a redução dos preços do óleo. A Argentina avança com sua colheita, enquanto os Estados Unidos desenvolvem o plantio da nova safra sob condições climáticas favoráveis, reforçando a expectativa de elevada oferta global nos próximos meses.
A maior disponibilidade de soja pressiona os preços dos derivados, reduzindo custos para a indústria de alimentos e beneficiando diretamente o consumidor.
Demanda internacional sustenta preços da soja
Se, por um lado, o aumento da oferta derruba o preço do óleo, por outro o mercado da soja em grão segue encontrando sustentação na demanda internacional.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que a valorização do farelo e do óleo de soja na Bolsa de Chicago (CME Group) fortaleceu os contratos futuros da oleaginosa e manteve firmeza nas cotações internacionais.
Segundo os pesquisadores do Cepea, o movimento é impulsionado pelo crescimento da procura por derivados tanto no mercado interno norte-americano quanto entre compradores internacionais, em um cenário marcado por preocupações com a oferta mundial.
Entre os fatores que influenciam o mercado estão as tensões no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas do comércio marítimo mundial — e as incertezas envolvendo uma possível paralisação das atividades na Argentina, importante exportadora global de farelo e óleo de soja.
Esse ambiente favorece países exportadores como Brasil e Estados Unidos, que ganham espaço para atender a demanda internacional.
Exportações aquecidas elevam disputa pela soja brasileira
No mercado interno, o avanço das exportações também tem contribuído para manter os preços da soja em níveis firmes. Segundo o Cepea, tradings exportadoras e indústrias processadoras disputam a compra da matéria-prima, elevando os prêmios de exportação e reduzindo a disponibilidade de grãos para comercialização doméstica.
Para os produtores que ainda possuem estoques, o cenário continua favorável às vendas, uma vez que a combinação entre demanda aquecida, possíveis restrições de oferta em outros países e incertezas logísticas internacionais sustenta as cotações.

Mercado seguirá atento ao clima e à geopolítica
Especialistas avaliam que o comportamento da soja nos próximos meses dependerá do equilíbrio entre a ampla oferta proporcionada pelas grandes safras da América do Sul e dos Estados Unidos e da intensidade da demanda mundial.
Ao mesmo tempo, fatores externos, como condições climáticas, conflitos geopolíticos e problemas logísticos, devem continuar exercendo forte influência sobre os preços internacionais.
Enquanto isso, o consumidor tende a continuar sendo beneficiado pela redução nos preços do óleo de soja, reflexo da safra recorde brasileira, ao passo que o mercado do grão permanece resiliente, sustentado pela força das exportações e pela importância estratégica do Brasil no abastecimento mundial de alimentos.
Por: Amanda Coelho
