
O segundo semestre começa com um ambiente desafiador para a pecuária de corte brasileira. Mesmo com a queda nos preços dos animais de reposição, a relação de troca entre boi gordo e bezerro permanece abaixo da média histórica, limitando a rentabilidade dos terminadores e exigindo maior cautela nas decisões de compra.
A avaliação é da consultoria Agrifatto, que projeta manutenção da pressão baixista sobre o mercado de reposição ao longo de julho. Segundo os analistas, a combinação entre estiagem, menor disponibilidade de pastagens e o desânimo dos confinadores e invernistas diante do mercado do boi gordo reduz o interesse por novas aquisições de bezerros.
Além da demanda enfraquecida, outro fator pesa sobre o mercado: a expectativa de encerramento da cota de exportação de carne bovina para a China. Com o limite anual praticamente atingido, parte da produção que seria destinada ao mercado externo tende a permanecer no mercado interno, aumentando a oferta de animais para abate e pressionando ainda mais as cotações da arroba.
Arroba e bezerro registram queda
Levantamento da Agrifatto mostra que, em junho, tanto o mercado do boi gordo quanto o de reposição apresentaram desvalorização.
A arroba do boi gordo encerrou o mês com média nacional de R$ 338,71, registrando queda de 0,61% em relação a maio. De acordo com a consultoria, o movimento foi impulsionado pelo aumento da oferta de animais terminados e pela desaceleração dos embarques de carne bovina para a China na segunda quinzena do mês.
O mercado de reposição também perdeu força. O preço médio do bezerro caiu 0,41%, fechando junho em R$ 3.241,72 por cabeça, o menor valor observado desde março deste ano.
Segundo a Agrifatto, a chegada do período seco elevou o custo de manutenção do rebanho, reduziu a disponibilidade de pastagens e desestimulou parte da demanda por animais de reposição. Ao mesmo tempo, a expectativa de um mercado mais fraco para o boi gordo faz com que os terminadores evitem pagar valores mais elevados pelos bezerros.
Relação de troca segue desfavorável
Apesar da retração no preço da reposição, a relação de troca continua abaixo do padrão considerado favorável ao pecuarista.
Os cálculos da Agrifatto apontam que, ao final de junho, eram necessários 1,98 bezerros de 200 quilos para equivaler ao valor de um boi gordo de 18,94 arrobas, resultado 0,19% inferior ao registrado em maio.
No acumulado do primeiro semestre, a relação de troca apresenta queda de 17,03%, permanecendo 16,8% abaixo da média dos últimos dez anos, o menor patamar para o período na série analisada pela consultoria.

Cenário exige estratégia do pecuarista
A expectativa para as próximas semanas é de continuidade da pressão sobre o mercado pecuário. O aumento da oferta de animais terminados, a menor demanda da indústria frigorífica e a possível redução das exportações para a China podem manter as cotações da arroba sob pressão no curto prazo.
Para o produtor, o momento exige planejamento e gestão dos custos. Embora a reposição tenha ficado mais barata, a rentabilidade da atividade continua condicionada ao comportamento do mercado do boi gordo, que segue enfrentando um ambiente de maior oferta e menor poder de reação nos preços.
Por: Fabíola Camilo
