Exportações de carne bovina para a China devem cair quase pela metade em 2026, projeta Abiec

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As exportações brasileiras de carne bovina para a China devem somar cerca de 900 mil toneladas em 2026, volume 46% inferior ao recorde de 1,68 milhão de toneladas embarcadas em 2025. A projeção é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que estima um impacto de até US$ 4,5 bilhões no faturamento do setor.

A redução é consequência da salvaguarda comercial adotada pela China, que limitou as importações brasileiras a 1,1 milhão de toneladas neste ano. Como parte dessa cota considera cargas embarcadas em 2025, mas desembarcadas em 2026, o espaço para novos embarques foi reduzido. Até junho, o Brasil já havia enviado 794,6 mil toneladas ao mercado chinês.

Diante desse cenário, frigoríficos suspenderam, desde julho, a produção de cortes destinados à China e passaram a adotar medidas para reduzir custos, como férias coletivas, diminuição da jornada de trabalho, redução dos abates e, em alguns casos, demissões. Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a expectativa é retomar os embarques no último trimestre, com cargas chegando à China apenas em 2027, já dentro da nova cota.

Apesar da busca por novos mercados, a entidade avalia que eles não serão suficientes para compensar a perda das vendas ao principal comprador da carne bovina brasileira. A projeção é de que as exportações totais do país encerrem 2026 com queda de aproximadamente 10% em relação ao ano passado.

Imagem gerada com auxílio de IA

União Europeia também preocupa

Além das restrições impostas pela China, a Abiec alerta para a possibilidade de interrupção das exportações à União Europeia a partir de setembro. O motivo é a exigência de comprovação técnica sobre o não uso de determinados antimicrobianos na produção de bovinos destinados ao bloco europeu.

Segundo Perosa, a perda simultânea dos mercados chinês e europeu pode reduzir a demanda internacional pela carne brasileira, pressionar os preços de exportação e provocar ajustes na produção. No mercado interno, o efeito inicial pode ser de maior oferta e preços mais baixos, mas, com a redução dos abates, a tendência é de recomposição dos preços ao consumidor no médio prazo.

Por: Amanda Coelho