Oferta restrita de boiadas sustenta a arroba e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

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O mercado do boi gordo segue vivendo um momento de impasse. De um lado, os frigoríficos tentam pressionar os preços da arroba diante da demanda mais fraca pela carne bovina. Do outro, os pecuaristas seguram a venda dos animais, apostando na oferta restrita de boiadas terminadas para conseguir melhores valores nas negociações.

A análise é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta um mercado físico com baixa liquidez, mas sustentado pela escassez de animais prontos para o abate.

Mesmo com poucas negociações ao longo da última semana, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ encerrou a sexta-feira (17) cotado a R$ 333,50 por arroba, acumulando valorização de 2,1% na semana. No comparativo diário, a alta foi de 0,71%, embora o indicador ainda registre queda de 0,86% no acumulado de julho.

Segundo o Cepea, o ritmo dos negócios permaneceu lento, com compradores e vendedores evitando fechar operações enquanto aguardam uma definição do mercado. Ainda assim, os preços avançaram em 17 das 28 praças pecuárias monitoradas pela instituição.

Entre os principais destaques estão Três Lagoas (MS), que registrou valorização de 2,16%, além de São José do Rio Preto (SP), com alta de 1,74%, e Cáceres (MT), que avançou 1,53%.

Mato Grosso do Sul segue com mercado firme

Em Mato Grosso do Sul, um dos principais estados produtores de bovinos do país, a valorização observada em Três Lagoas reforça a firmeza do mercado local. A menor oferta de animais terminados continua sendo o principal fator de sustentação dos preços, mesmo diante da postura cautelosa adotada pelos frigoríficos.

Analistas avaliam que, enquanto a escala de abates permanecer ajustada e a disponibilidade de animais seguir limitada, os pecuaristas tendem a manter uma posição firme nas negociações.

Carne perde força no atacado

Na outra ponta da cadeia, o mercado atacadista continua sentindo o enfraquecimento do consumo. Na Grande São Paulo, a carcaça casada bovina encerrou a semana com média de R$ 23,41 por quilo à vista, uma queda de 1,1% em relação à semana anterior.

Esse recuo reflete a menor demanda da carne bovina no mercado interno, fator que leva os frigoríficos a buscar compras mais baratas de gado para preservar suas margens.

Apesar desse cenário, a oferta restrita de boiadas prontas para o abate continua limitando a pressão da indústria sobre a arroba, mantendo o mercado em um equilíbrio delicado entre compradores e vendedores.

Por: Redação Caderno Agro