
Em um estado onde a pecuária é parte da história, da economia e da identidade, Mato Grosso do Sul também se consolida como um dos grandes polos brasileiros de ciência aplicada ao campo. É em Campo Grande que está instalada a Embrapa Gado de Corte, uma das instituições mais importantes do país no desenvolvimento de tecnologias para a pecuária, responsável por pesquisas que transformam a produção nacional e ajudam o Brasil a avançar em produtividade, qualidade e sustentabilidade.
Ao lado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), outro centro estratégico de produção de conhecimento, pesquisadores estão dando mais um passo nessa trajetória: uma nova metodologia capaz de identificar diferentes espécies de carne e até diferenciar raças bovinas, como Nelore e Angus, utilizando uma tecnologia avançada de análise molecular.
O estudo reúne ciência, inovação e aplicação prática, mostrando a força da parceria entre instituições de pesquisa instaladas em Mato Grosso do Sul. O resultado reforça o papel estratégico do Estado como um ambiente onde conhecimento acadêmico, pesquisa agropecuária e demandas do mercado se encontram para gerar soluções que podem impactar toda a cadeia produtiva brasileira.
Desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, UFMS e Universidade Estadual Paulista (Unesp), a metodologia utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF, uma tecnologia que permite identificar proteínas presentes na carne e criar uma espécie de “impressão digital” molecular de cada produto.
Na prática, o método consegue diferenciar carnes bovinas, suínas, de frango e tilápia, inclusive após processos como congelamento ou fritura. A tecnologia também abre caminho para certificações de produtos com maior valor agregado, garantindo mais segurança ao consumidor e auxiliando no combate a fraudes e substituições indevidas.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Newton Verbisck, que liderou o estudo, a ferramenta permite construir um banco de dados com os perfis de proteínas de diferentes carnes, que poderá ser utilizado em processos de fiscalização, controle de qualidade e rastreabilidade.
“É uma alternativa mais rápida e econômica em comparação com métodos genéticos tradicionais. Todo o processo pode ser realizado, em média, em 20 minutos, mantendo a precisão dos resultados”, destaca o pesquisador.
Tecnologia a serviço da rastreabilidade
A espectrometria de massas MALDI-TOF funciona a partir da análise das proteínas presentes nos tecidos animais. Cada espécie e raça apresenta uma composição molecular própria, que é identificada pelo equipamento e comparada com um banco de dados.
O procedimento envolve a coleta de uma pequena amostra da carne, a extração das proteínas e a análise em um espectrômetro de massas. Em poucos segundos, o equipamento identifica os padrões moleculares e permite classificar a origem do produto.
A tecnologia, que atualmente está disponível em Mato Grosso do Sul apenas na Embrapa Gado de Corte, pode futuramente ser aplicada em diferentes áreas, como fiscalização sanitária, controle industrial, certificação de carnes especiais e fortalecimento da confiança do consumidor.
MS como referência em inovação no agro
O desenvolvimento da pesquisa reforça uma característica que vem ganhando espaço no agronegócio sul-mato-grossense: a transformação do Estado em um ambiente de inovação tecnológica para a produção de alimentos.
Com instituições como Embrapa Gado de Corte e UFMS, Mato Grosso do Sul amplia sua participação não apenas como grande produtor de carne, grãos e fibras, mas também como gerador de conhecimento, protocolos e tecnologias que podem ser aplicados em escala nacional.
A união entre pesquisa científica e produção agropecuária mostra que o futuro da pecuária brasileira passa cada vez mais pela capacidade de agregar informação, precisão e tecnologia ao produto final.
O trabalho foi publicado no periódico internacional Biology and Life Sciences Forum, em abril de 2026, com participação dos pesquisadores Newton Valerio Verbisck, Larissa Bortoli de Souza, Marita Vedovelli Cardozo, Nilton Gabriel Paiva Guimarães e Gelson Luis Dias Feijó.
Por: Fabíola Camilo
