Frete agrícola mantém patamar elevado mesmo com acomodação em algumas rotas; cenário ainda reflete mudanças na logística nacional

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Os custos do transporte de grãos seguem no radar dos produtores brasileiros. Mesmo com uma acomodação observada em parte das rotas durante junho, os preços dos fretes permanecem acima dos registrados no mesmo período do ano passado, refletindo o avanço da colheita, os custos operacionais e as mudanças recentes na logística nacional.

Levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que o comportamento foi distinto entre os estados produtores. Enquanto algumas regiões registraram recuo nas tarifas em relação a maio, outras mantiveram estabilidade ou até apresentaram novas altas, impulsionadas pelo fluxo da segunda safra de milho e pelo ritmo das exportações.

O cenário também é acompanhado com atenção pelo setor após o período de tensão vivido pelos transportadores neste ano, quando a Medida Provisória nº 1.343/2026, que alterava regras do transporte rodoviário de cargas, chegou a provocar mobilização nacional e ameaça de paralisação dos caminhoneiros. Após negociações entre governo, Congresso e representantes da categoria, a proposta foi aprovada com ajustes, reduzindo o risco de interrupções no escoamento da safra e trazendo maior previsibilidade ao setor logístico.

Mato Grosso registra acomodação nas tarifas

Maior produtor de grãos do país, Mato Grosso apresentou o movimento mais expressivo de acomodação.

Segundo a Conab, 72% das rotas monitoradas registraram redução nos valores dos fretes em comparação com maio, com variações que oscilaram entre queda de 8% e alta de 8%.

Mesmo em plena movimentação da segunda safra de milho, o volume transportado ficou abaixo das expectativas. A Conab atribui esse comportamento ao fortalecimento da demanda doméstica pelo cereal, aos preços pagos ao produtor e ao aumento das viagens de menor distância, fatores que reduziram a pressão sobre o mercado de transporte.

Mato Grosso do Sul mantém mercado equilibrado

Em Mato Grosso do Sul, importante corredor logístico para o agronegócio brasileiro, o mercado apresentou maior estabilidade.

Metade das rotas acompanhadas registrou aumento nas tarifas, enquanto as demais permaneceram praticamente inalteradas. De acordo com a Conab, os custos operacionais do transporte e o fluxo contínuo de cargas agrícolas sustentaram os preços durante o período.

Para o estado, que segue ampliando sua participação nas exportações de soja, milho, celulose e proteína animal, a manutenção de uma logística eficiente continua sendo um fator estratégico para preservar a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense.

Demanda varia entre as regiões produtoras

O comportamento dos fretes também apresentou diferenças importantes nas demais regiões do país.

Em Goiás e no Distrito Federal predominou a retração das tarifas, especialmente nas rotas com origem em Cristalina e Bom Jesus de Goiás.

Na Bahia, o mercado trabalhou entre estabilidade e queda, reflexo da redução da demanda após o pico do escoamento da soja e do aumento da oferta de caminhões disponíveis.

Já no Maranhão e no Piauí, parte das rotas registrou valorização dos fretes, impulsionada pelo crescimento das exportações de soja e pela alta dos combustíveis.

No Paraná, o início da colheita da segunda safra de milho aumentou a procura por transporte, enquanto São Paulo e Minas Gerais apresentaram poucas oscilações ao longo do mês.

Exportações seguem sustentando a demanda logística

Mesmo com a acomodação observada em parte do mercado, o comércio exterior continua oferecendo suporte à demanda por transporte.

Segundo a Conab, o Brasil exportou 69,5 milhões de toneladas de soja no primeiro semestre de 2026, crescimento de 7,12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os embarques de milho também avançaram de forma expressiva, alcançando 7,9 milhões de toneladas, alta de 22,13% na comparação anual.

Outro destaque é o fortalecimento do Arco Norte, responsável por 39,1% das exportações de soja e 35,4% dos embarques de milho no acumulado do semestre, consolidando sua importância na estratégia logística do agronegócio brasileiro.

Perspectivas

Com a colheita da segunda safra de milho avançando e as exportações mantendo ritmo consistente, o mercado de fretes deve permanecer aquecido nas próximas semanas, embora sem a pressão observada durante os picos de embarque.

A aprovação das mudanças na MP do transporte rodoviário reduziu o risco de novas paralisações de caminhoneiros no curto prazo, mas o setor continuará atento aos custos com combustível, à disponibilidade de veículos e ao comportamento das exportações, fatores que seguirão determinando o valor dos fretes no segundo semestre.

Para os produtores de Mato Grosso do Sul, acompanhar esses movimentos será fundamental na definição dos custos de comercialização da safra e na escolha do melhor momento para o escoamento da produção.

Por: Amanda Coelho