Mercado do boi gordo entra em fase de acomodação após forte valorização da arroba; cenário segue favorável ao pecuarista

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Depois de uma sequência consistente de altas ao longo de julho, o mercado físico do boi gordo inicia esta semana em um momento de maior equilíbrio. A arroba permanece em um dos maiores patamares do ano, mas a intensidade das valorizações perdeu força diante do alongamento das escalas de abate e da postura mais cautelosa adotada pelos frigoríficos nas principais regiões produtoras do país.

O Indicador Cepea/Esalq, referência nacional para o mercado, encerrou o período cotado a R$ 344,25 por arroba, praticamente estável em relação aos últimos dias. Em São Paulo, o chamado Boi China também fechou próximo desse valor, em R$ 344,00/@, indicando o desaparecimento do prêmio pago aos animais habilitados para exportação ao mercado chinês.

Apesar da estabilidade observada no fechamento, o mercado segue sustentado por fundamentos positivos. A oferta de animais terminados continua relativamente restrita para o período de entressafra, fator que limitou a pressão de compra das indústrias e sustentou os preços nas últimas semanas.

Escalas mais confortáveis reduzem pressão compradora

Se nas primeiras semanas de julho os frigoríficos precisaram disputar lotes prontos para abate, elevando rapidamente as cotações da arroba, o cenário agora é diferente.

As escalas de abate nas principais praças pecuárias passaram a trabalhar entre cinco e sete dias úteis, oferecendo maior conforto às indústrias. Com isso, diminuiu a necessidade de novas altas agressivas nas negociações diárias.

Esse movimento não representa uma reversão da tendência de mercado, mas sim uma acomodação natural após uma valorização expressiva registrada em curto espaço de tempo.

Embarques para a china já somam 80% do total da cpota – Foto: Getty Images

Atacado segue firme, mas encontra limite para novos reajustes

Outro fator que contribui para o momento de estabilidade é o comportamento do mercado atacadista.

Os preços da carne bovina permanecem firmes, sustentando as margens da indústria, porém o consumo na segunda quinzena do mês limita novos repasses ao varejo. Com menor poder de compra da população neste período, frigoríficos encontram resistência para elevar ainda mais os preços da carne.

Essa combinação entre um atacado estável e escalas mais confortáveis reduz o ímpeto comprador das indústrias, mantendo a arroba em um patamar elevado, mas sem espaço, por enquanto, para novos avanços expressivos.

Boi China perde prêmio

Outro destaque desta virada de mercado é o desaparecimento do diferencial pago pelo chamado Boi China.

Nas últimas semanas, animais habilitados para exportação chegaram a receber um ágio em relação ao boi destinado ao mercado interno. No fechamento deste início de semana, entretanto, as duas categorias passaram a negociar praticamente no mesmo nível em São Paulo.

O movimento indica que a demanda externa continua aquecida, mas sem necessidade de ampliar os prêmios para garantir matéria-prima, já que a oferta disponível atende ao ritmo atual dos embarques.

Evolução mostra força do mercado em julho

A trajetória da arroba ao longo do mês demonstra a intensidade do movimento observado durante a entressafra.

Em meados de julho, o Indicador Cepea variava entre R$ 328,10 e R$ 333,50 por arroba, enquanto o Boi China era negociado próximo de R$ 335,00/@. Na sequência, a pressão compradora dos frigoríficos elevou rapidamente as cotações, levando o indicador para a faixa entre R$ 337,10 e R$ 342,45.

Nos últimos dias da semana passada, o mercado começou a mostrar sinais de desaceleração, com o Cepea atingindo R$ 343,75 a R$ 344,20, até consolidar o fechamento em R$ 344,25/@, praticamente sem variação.

A evolução confirma que o mercado passou de uma fase de forte valorização para outra de consolidação dos preços, sem perda dos fundamentos que sustentam a arroba.

Perspectivas

Para esta semana, a expectativa é de negociações mais cadenciadas, com predominância de preços estáveis e eventuais ajustes pontuais entre as regiões produtoras.

O mercado continuará atento ao comportamento das escalas de abate, ao ritmo das exportações brasileiras de carne bovina e à evolução da demanda doméstica. Caso a oferta de animais permaneça restrita durante a entressafra, a tendência é que a arroba siga negociando em patamares elevados, ainda que sem repetir, no curto prazo, o ritmo acelerado de valorização observado nas últimas semanas.

Evolução recente do mercado do boi gordo

PeríodoIndicador Cepea (R$/@)Boi China SP (R$/@)Cenário de mercado
14 a 17 de julhoR$ 328,10 a R$ 333,50R$ 335,00Oferta restrita e início da recuperação das cotações
20 a 21 de julhoR$ 337,10 a R$ 342,45R$ 342,00Forte pressão compradora e escalas curtas
23 a 24 de julhoR$ 343,75 a R$ 344,20R$ 344,00Desaceleração das altas e escalas entre 5 e 7 dias
Fechamento do início da semanaR$ 344,25R$ 344,00Mercado estabilizado, atacado firme e preços consolidados

Por: Fabíola Camilo