
Quem vive da pecuária sabe que produzir mais e melhor exige muito mais do que investir em genética, nutrição ou manejo. O sucesso dentro da porteira também depende das decisões tomadas fora dela. A política influencia o ambiente de negócios, a economia determina custos e oportunidades, enquanto o mercado e a geopolítica podem alterar o destino da produção brasileira da noite para o dia.
Foi com esse olhar que a Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Novilho Precoce realizou, nesta segunda-feira (3), em Campo Grande, o Encontro Novilho Precoce Cenário Brasil. O evento reuniu produtores, associados e lideranças do setor para discutir temas que impactam diretamente o presente e o futuro da pecuária nacional.
Parceiro da entidade em diversas iniciativas voltadas ao fortalecimento da pecuária de Mato Grosso do Sul, o Caderno Agro acompanhou toda a programação, que trouxe ao debate assuntos pouco comuns em eventos técnicos, mas cada vez mais indispensáveis para quem vive do campo.
O ex-secretário da Semadesc, Jaime Verruck, abriu a programação da palestra do, que apresentou um panorama da economia sul-mato-grossense e das oportunidades para o Estado, reforçando o protagonismo de Mato Grosso do Sul na produção agropecuária e na atração de investimentos.
Outro destaque do encontro foi o comentarista político e economista Caio Coppolla, que trouxe uma análise sobre o cenário político e econômico brasileiro, destacando que 2026 representa um período decisivo para o ambiente de negócios. Segundo ele, o processo eleitoral naturalmente amplia a insegurança dos investidores e produtores, mas não deve tirar o foco daquilo que realmente faz diferença dentro da propriedade: gestão, produtividade e planejamento.
Durante sua palestra, Coppolla ressaltou que o agronegócio brasileiro construiu sua competitividade por meio da tecnologia, da inovação e dos constantes ganhos de produtividade, fatores que permitem ao setor continuar crescendo mesmo em momentos de baixo desempenho da economia nacional.
Mais do que reunir especialistas renomados, o evento reforçou a estratégia da Novilho Precoce de oferecer aos seus associados informação qualificada para apoiar a tomada de decisões.
O presidente da entidade, Rafael Gratão, destacou que o produtor moderno precisa estar atento não apenas ao que acontece dentro da fazenda, mas também aos movimentos da economia, da política e dos mercados.
“A genética e a produção continuam sendo fundamentais, mas entender o cenário econômico e político ajuda o produtor a tomar decisões mais estratégicas para o seu negócio”, destacou.
Na mesma linha, o superintendente da Novilho Precoce, Alexandre Guimarães, explicou que a missão da associação vai além da comercialização de animais. Segundo ele, levar conhecimento aos associados é uma das principais ferramentas para fortalecer a pecuária sul-mato-grossense.
“Esses encontros proporcionam aprendizado, aproximam os produtores de especialistas e contribuem diretamente para a evolução da atividade. Quanto mais informação de qualidade chega ao campo, melhores são as decisões tomadas pelos pecuaristas”, afirmou.



Também presente no encontro, o associado Nedson Rodrigues ressaltou que discutir política e economia tornou-se uma necessidade para o setor, especialmente em um ano eleitoral.
Segundo ele, compreender as propostas e os rumos do país é parte da responsabilidade do produtor rural, já que decisões tomadas em Brasília refletem diretamente na atividade agropecuária.
Ao promover um evento voltado à análise do cenário nacional, a Novilho Precoce reforça uma característica que vem marcando sua atuação: oferecer aos associados muito mais do que ferramentas de comercialização. A entidade investe em informação, qualificação e visão estratégica, fortalecendo um modelo de associação que busca preparar o produtor para os desafios de um mercado cada vez mais competitivo.
Em um momento de transformações econômicas, disputas geopolíticas e definições políticas importantes para o Brasil, a principal mensagem deixada pelo encontro foi clara: quem alia conhecimento, planejamento e gestão estará mais preparado para enfrentar qualquer cenário. Afinal, a pecuária moderna não se constrói apenas dentro da porteira. Ela começa, cada vez mais, pela informação.




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