
A forte redução no abate de bovinos em julho mudou a equação do mercado pecuário brasileiro e ajuda a explicar a sustentação dos preços do boi gordo mesmo diante da desaceleração das exportações para a China.
Levantamento preliminar da Safras & Mercado, elaborado pelo analista Fernando Henrique Iglesias, aponta que o Brasil abateu cerca de 2,99 milhões de bovinos em julho, considerando os sistemas de inspeção federal, estadual e municipal. O volume é 21,6% inferior ao registrado em julho de 2025, quando foram abatidas 3,81 milhões de cabeças.
A retração ganha ainda mais peso quando se observa o abate de fêmeas. Em julho, foram 760,6 mil cabeças sob inspeção federal, queda de 32% em relação às 1,119 milhão registradas um ano antes. É o menor volume mensal desde dezembro de 2024.
No acumulado de janeiro a julho, o abate de fêmeas soma 6,696 milhões de cabeças, recuo de 9,6% frente ao mesmo período de 2025.
A mudança na oferta ocorre justamente em um momento de pressão sobre as exportações para a China, com o esgotamento da cota para entrada da carne brasileira sem a tarifa adicional prevista pela salvaguarda. Em tese, menor demanda externa poderia aumentar a disponibilidade de carne no mercado interno e pressionar a arroba. Mas a menor oferta de animais limita esse movimento.
O dado resume a nova dinâmica do mercado: em julho, foram abatidos 822 mil bovinos a menos que no mesmo mês do ano passado.
Depois de alcançar 3,49 milhões de cabeças em junho, o abate caiu cerca de 500 mil animais em julho. A Safras & Mercado, porém, espera alguma recuperação em agosto, ainda abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025.
Com isso, o comportamento da oferta de gado passa a ter peso cada vez maior na formação dos preços. Mesmo com a China reduzindo o ritmo das compras, há menos animais disponíveis para os frigoríficos, criando uma barreira para uma queda mais acentuada da arroba.
Por: Redação Caderno Agro
