
O bezerro de desmama está ganhando cada vez mais espaço no mercado de reposição — e também no bolso do pecuarista. O movimento chama atenção porque as categorias mais leves vêm registrando valorização superior à dos animais mais pesados.
A principal explicação está na oferta. Depois de anos com abates elevados de fêmeas, a produção de bezerros foi reduzida, deixando o mercado com menos animais jovens disponíveis.
No quadro “Conversa com o Analista”, do programa Terraviva DBO na TV, exibido na terça-feira (11/8), Pedro Gonçalves, da Scot Consultoria, analisou o cenário e destacou que a valorização da reposição já vem sendo observada nos últimos anos, favorecendo principalmente os sistemas de cria e recria.
“A resposta mais simples é porque não há estoque de bezerro”, afirmou o analista.
Menos fêmeas, menos bezerros no mercado
Segundo Gonçalves, o aumento dos abates de fêmeas nos últimos quatro a cinco anos contribuiu diretamente para reduzir a oferta de novos animais.
A diferença entre as categorias está justamente na capacidade de reposição do estoque. Animais mais velhos podem permanecer no sistema e avançar de uma categoria para outra. Já os bezerros dependem da entrada de novos animais no rebanho.
“A oferta do bezerro costuma ser a primeira a diminuir quando a gente observa o universo como um todo”, explicou.
Com a oferta mais apertada, o bezerro de desmama passou a disputar espaço entre os compradores e ganhou força nos negócios, elevando sua valorização em relação às categorias mais pesadas.
Bezerro também ganha pela eficiência
A menor oferta, porém, não é o único fator. A eficiência produtiva das categorias mais leves também pesa na formação dos preços.
De acordo com Gonçalves, animais jovens apresentam vantagens relacionadas à conversão alimentar e ao potencial de ganho de peso, características que aumentam a procura por parte de quem trabalha com recria e engorda.
Em São Paulo, o analista cita como referência o bezerro de desmama de aproximadamente seis arrobas, negociado na faixa de R$ 3 mil a R$ 3,3 mil por cabeça.
Na outra ponta, um boi gordo de cerca de 20 arrobas gira entre R$ 6,5 mil e R$ 7 mil por cabeça.
A diferença mostra que, embora o valor proporcional por arroba seja menor nas categorias mais pesadas, o maior peso do animal eleva o desembolso total. Já o bezerro combina menor peso, potencial de ganho e oferta restrita — uma combinação que vem sustentando sua valorização no mercado de reposição.
Para o pecuarista, o cenário reforça a importância estratégica da cria. Com menos bezerros disponíveis e demanda firme pela reposição, produzir animais de qualidade pode representar uma vantagem cada vez maior dentro da pecuária brasileira.
Por: Redação Caderno Agro
