China já consumiu 90% da cota de carne bovina brasileira para 2026

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A China já utilizou 90% da cota anual destinada à carne bovina brasileira em 2026, acendendo um novo alerta para frigoríficos e pecuaristas. O dado foi divulgado pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) e confirma a velocidade com que o limite de importações está sendo consumido.

A marca foi alcançada na segunda-feira (10), menos de três semanas depois de a utilização da cota ter chegado a 80%. O ritmo reforça a possibilidade de esgotamento do limite antes do fim do ano.

Para 2026, a China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira. O volume é cerca de 35% inferior às 1,70 milhão de toneladas embarcadas pelo Brasil ao mercado chinês em 2025.

Tarifa pode chegar a 55% após o limite

O principal ponto de preocupação para a indústria brasileira está no que acontece quando a cota for totalmente preenchida.

Pelas regras da salvaguarda chinesa, após o esgotamento dos 1,106 milhão de toneladas, uma tarifa adicional de 55% será aplicada às importações brasileiras, somando-se aos tributos já existentes.

Com isso, além da tarifa de importação de 12% e da taxa interna chinesa de 9%, a carne brasileira poderá enfrentar uma carga tributária considerada proibitiva pelo setor frigorífico.

Na prática, o cenário pode reduzir drasticamente a competitividade da carne brasileira justamente em um dos seus principais mercados externos.

Frigoríficos já ajustam operações

A proximidade do limite também começa a produzir efeitos dentro da indústria brasileira. Frigoríficos vêm adotando medidas para reduzir o risco de cargas chegarem aos portos chineses depois do encerramento da cota.

Entre as estratégias estão redução de turnos, férias coletivas e suspensão de contratos.

A preocupação não está apenas no volume que deixará de ser embarcado, mas também nos impactos sobre toda a cadeia da carne bovina. A China é um dos principais destinos da produção brasileira e qualquer redução significativa das compras pode alterar a formação de preços, o ritmo de abates e a estratégia de comercialização dos frigoríficos.

Para Mato Grosso do Sul, um dos principais estados produtores e exportadores de carne bovina do país, o avanço da cota chinesa merece atenção especial. Quanto mais próximo o limite, maior tende a ser a necessidade de diversificação dos mercados compradores e de ajustes na programação dos embarques.

Com 90% da cota já consumida, restam aproximadamente 10% do limite anual antes da aplicação da tarifa adicional. O ritmo de utilização nas próximas semanas será decisivo para determinar até quando o fluxo de carne brasileira poderá seguir para a China dentro das condições atuais.

Por: Amanda Coelho