
O mercado do boi gordo encerrou a semana sustentado pela oferta restrita de animais terminados, mas sem espaço para novas altas significativas. Em grande parte das principais praças pecuárias, a combinação entre menor disponibilidade de boi pronto para abate e demanda interna enfraquecida manteve os preços firmes, porém travou a reação da arroba.
Em Campo Grande, a referência média ficou próxima de R$ 339 por arroba no mercado à vista e R$ 343 a prazo. Em São Paulo, a cotação permaneceu ao redor de R$ 343/@ à vista.
O cenário mostra um mercado pressionado por forças opostas. De um lado, o pecuarista tem menos animais disponíveis para entregar, o que impede uma queda mais acentuada dos preços. De outro, os frigoríficos encontram dificuldade para repassar aumentos ao mercado consumidor e adotam uma postura mais cautelosa nas compras.
O resultado é um mercado firme, mas sem combustível para disparar.
Frigoríficos reduzem o ritmo
O principal freio para a valorização da arroba está no consumo de carne bovina. O escoamento no atacado segue morno, dificultando a formação de margens pela indústria e reduzindo a disposição dos frigoríficos para elevar os preços pagos pelo boi.
Com a demanda mais lenta, as indústrias trabalham com maior cautela na formação das escalas de abate. A estratégia é comprar de forma mais seletiva e evitar a formação de estoques em um momento em que o consumo não acompanha uma eventual elevação dos preços.
Essa postura impede que a oferta restrita de gado se transforme, pelo menos neste momento, em uma nova onda de valorização da arroba.
Para o pecuarista, o cenário exige atenção. A menor disponibilidade de animais terminados continua sendo um importante fator de sustentação, mas a demanda doméstica aparece como o principal obstáculo para uma recuperação mais forte dos preços.
B3 aponta mercado mais firme à frente
No mercado futuro, o comportamento foi um pouco mais positivo.
Os contratos negociados na B3 encerraram a semana com leves oscilações positivas. O vencimento para agosto de 2026 ficou próximo de R$ 345,75 por arroba, enquanto contratos mais longos, como outubro e novembro, operaram acima dos R$ 365/@, sinalizando uma expectativa de preços mais elevados adiante.
A diferença entre o mercado físico e o futuro mostra que os agentes ainda enxergam espaço para valorização da arroba nos próximos meses, especialmente diante da perspectiva de uma oferta mais ajustada de animais.
Mas o mercado à vista continua sendo ditado pelo comportamento da indústria e do consumo.
Equilíbrio delicado
O fechamento da semana deixa um retrato claro da pecuária: não há excesso de oferta capaz de pressionar fortemente a arroba para baixo, mas também não há demanda suficiente para provocar uma disparada dos preços.
A baixa oferta de boi gordo mantém o mercado sustentado, enquanto o consumo interno fraco e a cautela dos frigoríficos limitam os avanços.
Em outras palavras, o boi está escasso, mas a carne ainda encontra dificuldade para ganhar velocidade no mercado.
A próxima semana será decisiva para saber qual desses dois fatores terá maior peso. Se o consumo reagir e a indústria precisar recompor escalas, a oferta curta pode voltar a pressionar os preços para cima. Se o atacado continuar morno, a tendência é de manutenção das cotações e de uma disputa mais equilibrada entre pecuaristas e frigoríficos.
Por enquanto, o mercado termina a semana firme, mas travado: a oferta segura a arroba, enquanto a demanda impede que ela avance.
Por: Amanda Coelho
