
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com preços entre estáveis e mais baixos nas principais praças pecuárias do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a decisão dos Estados Unidos de liberar até 300 mil toneladas de carne bovina, com tarifa zero, teve pouco efeito sobre as negociações no mercado físico.
A reação mais forte ficou concentrada no mercado futuro, que registrou altas expressivas nos últimos dias. Para Iglesias, o impacto da medida sobre as negociações deve ser limitado na primeira quinzena de setembro, enquanto a indústria avalia a viabilidade de ampliar os embarques para os Estados Unidos.
No mercado brasileiro, o cenário segue favorecendo os frigoríficos, especialmente os de maior porte, que trabalham com escalas de abate mais confortáveis. A maior disponibilidade de animais contribuiu para a pressão sobre as cotações em algumas regiões.
Em 27 de agosto, a arroba do boi gordo a prazo estava cotada a R$ 340 em São Paulo, queda de 4,2% na semana. Em Goiás, o preço recuou 1,5%, para R$ 330, enquanto Minas Gerais manteve os R$ 335.
Em Mato Grosso do Sul, a cotação em Dourados permaneceu estável em R$ 340 por arroba. Em Mato Grosso, o preço caiu 1,5%, para R$ 335, e em Rondônia recuou 1,5%, para R$ 333.
Setembro pode mudar o cenário
Apesar da pressão observada no fim de agosto, as perspectivas para setembro são mais firmes. Na avaliação do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, quatro fatores podem favorecer uma recuperação da arroba.
Um deles é a maior procura dos frigoríficos por bovinos jovens, principalmente na segunda metade do mês, com o objetivo de garantir matéria-prima para atender à cota de exportação para a China em 2027.
Outro ponto é a tendência de menor participação de fêmeas nos abates entre setembro e dezembro, período que normalmente apresenta oferta mais restrita. A expectativa é de que essa redução ajude a equilibrar o mercado e favoreça os preços.
A abertura de uma cota de até 300 mil toneladas de carne bovina pelos Estados Unidos também pode contribuir para a sustentação da arroba. A medida terá validade de 90 dias e deve manter influência sobre o mercado até o fim do ano.
No mercado interno, a expectativa de maior circulação de recursos durante o período eleitoral também pode dar algum suporte ao consumo de carne bovina.
Atacado segue pressionado
No atacado, os preços da carne bovina recuaram durante a semana, em um cenário de demanda ainda enfraquecida. O quarto do dianteiro caiu 4,8%, para R$ 20 por quilo, enquanto o quarto do traseiro recuou 3,7%, para R$ 26.
A concorrência com outras proteínas também limita a recuperação. A oferta elevada de carne suína, frango e ovos mantém esses produtos competitivos e reduz o espaço para valorização da carne bovina no mercado interno.
Exportações desaceleram em agosto
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 873,6 milhões em agosto, considerando os primeiros 15 dias úteis, segundo dados da Secex. Foram embarcadas 141,1 mil toneladas, com preço médio de US$ 6.192,50 por tonelada.
Na comparação com agosto de 2025, a média diária exportada caiu 26,4% em volume e 18,6% em valor. Em contrapartida, o preço médio da tonelada avançou 10,6%.
O cenário mostra um mercado dividido entre a pressão de curto prazo, provocada pelas escalas mais confortáveis dos frigoríficos e pela demanda interna enfraquecida, e fatores que podem sustentar a arroba nos próximos meses, especialmente a demanda externa e a menor oferta de fêmeas.
