Carne bovina ganha espaço nas exportações de MS e movimenta US$ 1,17 bilhão no semestre

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A carne bovina sul-mato-grossense ganhou força no comércio exterior e encerrou o primeiro semestre de 2026 com um resultado expressivo. As exportações do produto alcançaram US$ 1,17 bilhão entre janeiro e junho, avanço de 47,9% na comparação com os US$ 791,8 milhões registrados nos seis primeiros meses de 2025.

O desempenho colocou a pecuária em posição ainda mais relevante na balança comercial de Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), a carne bovina já responde por 20,6% de toda a receita obtida pelo agronegócio estadual com as vendas ao exterior.

O resultado chama atenção principalmente porque ocorreu mesmo diante de uma redução no número de animais abatidos. Ou seja, o crescimento da receita não foi puxado exclusivamente por uma maior oferta de carne, mas também pela valorização do produto comercializado no mercado internacional.

No primeiro semestre, o preço médio da tonelada exportada por Mato Grosso do Sul aumentou 19,7%. O movimento contrasta com o desempenho da celulose, cujo preço médio recuou cerca de 7,8% no mesmo período.

China e Estados Unidos puxam demanda

Os principais mercados compradores tiveram papel importante para o avanço das exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul.

A China, principal destino do produto estadual, mais que dobrou o valor das compras no primeiro semestre, com crescimento de 109% em relação ao mesmo período de 2025. Já os Estados Unidos ampliaram em 41,7% os valores importados.

Para a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o resultado demonstra que o crescimento das exportações ocorreu em um cenário que vai além do aumento da oferta interna.

“Mesmo com a redução no número de animais abatidos, as exportações cresceram em receita, mostrando que o desempenho não esteve condicionado apenas ao aumento da oferta”, explicou.

O desempenho da pecuária ocorre em um momento em que o agronegócio continua sendo o principal motor das exportações sul-mato-grossenses. No acumulado de janeiro a junho, o setor movimentou US$ 5,68 bilhões em vendas internacionais, crescimento de 12,4% sobre o mesmo período de 2025. O agronegócio foi responsável por 96,1% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou no semestre.

A soja liderou o ranking, com crescimento de 30,5% na receita. A celulose permaneceu na segunda posição, mas apresentou queda de 16,6%.

Com o avanço da carne bovina, a distância para a celulose diminuiu. Enquanto a pecuária representa 20,6% do valor exportado pelo agro estadual, a celulose responde por 25,3%.

Segundo Eliamar, o comportamento do mercado nos próximos meses será decisivo para determinar se o ritmo de crescimento poderá ser mantido.

“A continuidade do desempenho dependerá da capacidade de diversificar mercados, preservar a competitividade da carne brasileira e manter a demanda internacional. O câmbio, os preços internacionais e as condições de acesso aos principais mercados também serão determinantes para a formação da receita do setor no segundo semestre”, afirmou.

Pecuária também gera empregos

O avanço da cadeia da carne também aparece nos números do mercado de trabalho. Entre janeiro e junho, as atividades ligadas à pecuária abriram 611 vagas formais em Mato Grosso do Sul.

Somente a criação de bovinos foi responsável por 455 novos postos de trabalho no período, reforçando o peso da atividade não apenas na geração de divisas, mas também na economia e no emprego dentro do Estado.

Com a demanda internacional aquecida e a valorização do produto exportado no primeiro semestre, a pecuária sul-mato-grossense chega à segunda metade de 2026 com um cenário favorável, mas ainda dependente do comportamento dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos grandes mercados consumidores.