Juros futuros sobem após forte queda, pressionados por petróleo e cenário externo

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Os juros futuros iniciaram a sessão desta quarta-feira (9) em alta em toda a curva, em um movimento de correção após a forte queda registrada pelos contratos na véspera. A pressão veio principalmente do cenário externo, com a disparada do petróleo e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O petróleo Brent para novembro chegou a superar US$ 100 por barril, com alta próxima de 3%, enquanto o WTI para outubro avançava mais de 2%, acima de US$ 95. A valorização ocorre em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.

No mercado brasileiro, porém, o chamado “trade eleitoral” ajudava a limitar uma alta mais intensa das taxas. Na terça-feira (8), os contratos de juros de longo prazo recuaram mais de 20 pontos-base, levando os vencimentos a partir de 2029 para abaixo de 14%.

O movimento foi influenciado por novas pesquisas eleitorais, que aumentaram a percepção de uma disputa mais competitiva e de possibilidade de alternância de poder a partir de 2027.

Na abertura desta quarta-feira, às 9h10, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,570%, ante 13,521% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2027 marcava 13,585%, contra 13,571%.

Nos vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2029 avançava de 13,725% para 13,775%; o contrato para janeiro de 2030 subia de 13,839% para 13,915%; e o DI para janeiro de 2031 passava de 13,902% para 13,985%.

Além do ambiente internacional, os investidores acompanhavam nesta quarta-feira a divulgação do Índice de Commodities – Brasil (IC-Br), calculado pelo Banco Central, referente a agosto.

No cenário doméstico, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) acelerou para 0,51% na primeira quadrissemana de setembro, após registrar queda de 0,37% no fechamento de agosto.

A agenda fiscal também estava no radar. O governo federal editou duas medidas provisórias que abrem créditos extraordinários de R$ 6,605 bilhões para subvenções relacionadas à produção e à importação de combustíveis. Desse montante, R$ 5,607 bilhões são destinados à medida relacionada ao diesel e R$ 375 milhões às operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O mercado também monitorava os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã. O governo iraniano condenou ataques norte-americanos contra petroleiros iranianos e afirmou que as ações de Teerã contra instalações militares dos EUA na Jordânia e embarcações norte-americanas ocorreram em legítima defesa. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), por sua vez, declarou que as tentativas de ataque iranianas fracassaram.