
A expansão da agroindústria e a expectativa de melhorias na infraestrutura estão elevando o valor das terras em Mato Grosso do Sul. Em Três Lagoas, no Vale da Celulose, a valorização foi a maior entre as 10 regiões do Estado analisadas pela Scot Consultoria.
Segundo a 47ª edição do levantamento, as áreas de pastagem chegaram a R$ 24,8 mil por hectare, alta de 16,4% em relação ao quadrimestre anterior e de 13,8% sobre o mesmo período de 2025. O valor ficou acima da média estadual, de R$ 20,71 mil.
As terras com aptidão agrícola em Três Lagoas também avançaram, para R$ 55,1 mil por hectare, alta de 4,8% no quadrimestre e de 9,3% em um ano. A diferença entre uma área de pastagem e uma agrícola chega a 122%.
Para o engenheiro agrônomo Gustavo Duprat, da Scot Consultoria, a expansão da indústria de celulose em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo aumentou a procura por terras, inclusive por áreas antes menos disputadas. A demanda elevou os preços e ajudou a sustentar o mercado mesmo diante do crédito mais caro e da menor liquidez no agronegócio.
Dourados permanece entre os mercados mais valorizados. Embora a média esteja na casa dos R$ 48 mil por hectare, algumas áreas agrícolas chegam a R$ 220 mil, entre os maiores valores registrados no país.
No Estado, a média das terras agrícolas alcançou R$ 47,47 mil por hectare, alta de 5,8% em um ano. Nas áreas de pastagem, a média ficou em R$ 20,71 mil, avanço de 5,9%.
Além da agroindústria, a expansão da citricultura, da cana-de-açúcar e as perspectivas de infraestrutura ajudam a explicar o movimento. A Rota da Celulose e a Rota Bioceânica ampliam as expectativas de valorização em regiões estratégicas para produção e escoamento.
O cenário, porém, não é de mercado aquecido em todas as frentes. A dificuldade de acesso ao crédito, os juros elevados e a queda recente das commodities reduziram a liquidez. Ainda assim, as terras sul-mato-grossenses seguem firmes — sustentadas, sobretudo, pela expansão da atividade produtiva e pela disputa por áreas com potencial de geração de renda.
