
Um El Niño de forte intensidade pode retirar até 12 milhões de toneladas da produção brasileira de soja, em um cenário climático semelhante ao registrado em 2015. A estimativa é do sócio-consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros.
Segundo o consultor, o impacto do fenômeno tende a ser desigual entre as regiões. Sul, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apresentam menor risco de quebra, embora o excesso de chuva possa atrapalhar o plantio e a colheita. Já Centro, Norte e Nordeste concentram as maiores preocupações climáticas.
O risco já começa a aparecer nos preços. Fundos de investimento ampliaram posições compradas em soja, milho, trigo e algodão, enquanto compradores chineses antecipam a demanda por soja para janeiro e elevam os prêmios pagos pelo produto brasileiro.
“Minha impressão é que os chineses já viram que tem um risco de diminuir a oferta mesmo”, afirmou Mendonça de Barros.
Diante desse cenário, a estratégia de venda deve considerar o risco de cada região. Para produtores em áreas mais vulneráveis ao clima, o consultor recomenda cautela para não comprometer antecipadamente uma produção que pode não se confirmar.
“Vender e não colher é talvez o maior problema que você pode ter”, alertou.
Já em regiões de menor risco climático e com maior nível tecnológico, a orientação é aproveitar a recuperação dos preços para construir posições de venda.
Por: Amanda Coelho
