
O mercado do boi gordo encerrou a semana em alta, com valorização também nas demais categorias de animais destinados ao abate. O movimento ocorre mesmo em um período tradicionalmente marcado por menor consumo de carne bovina, na reta final do mês.
Segundo informações citadas no comentário de João Pedro Cuthi Dias, a oferta mais limitada de animais terminados e o custo elevado da reposição seguem dando sustentação às cotações. Dados da Agrifatto Consultoria apontaram alta de 0,35% na média nacional do mercado físico na quinta-feira, com a arroba próxima de R$ 346.
A disponibilidade de animais terminados em pasto também está mais restrita. O cenário é agravado pela redução no abate de fêmeas e pela antecipação da comercialização de lotes por confinadores, em um movimento relacionado à demanda chinesa observada anteriormente.
Com a aproximação do novo ciclo de embarques, a expectativa é de que frigoríficos retomem as negociações com confinadores e produtores de terminação intensiva para formar lotes dentro do padrão exigido pelo mercado chinês. A programação tende a mirar abates entre o fim de outubro e o início de novembro, com embarques posteriormente destinados à China.
China volta a fazer negócios pontuais
O mercado externo também esteve no centro das discussões durante o Encontro de Intensificação de Pastagens, promovido pela Scot Consultoria em Ribeirão Preto (SP).
Durante o evento, o analista Pedro Gonçalves afirmou que a China já realizou negócios pontuais de carne bovina brasileira e indicou uma possível retomada das compras em um cenário marcado pelo esgotamento da cota de importação.
A cota tarifária mencionada no encontro é de 1,106 milhão de toneladas. Acima desse volume, a carne brasileira estaria sujeita a uma tarifa adicional de 55%, além da alíquota de 12%, o que pode reduzir a viabilidade econômica de determinadas operações.
Apesar das restrições, o mercado avalia alternativas para manter o fluxo comercial. Entre elas está a possibilidade de direcionar para a China cortes de maior valor agregado ou produtos com características específicas de consumo naquele mercado.
O comentário também destacou que o Brasil poderá encontrar oportunidades em cortes do dianteiro, utilizados principalmente em preparações cozidas, caso operações fora da cota se tornem economicamente viáveis.
No curto prazo, entretanto, ainda não há confirmação oficial sobre eventual ampliação da cota ou sobre a abertura de volumes adicionais de outros países para o mercado chinês. A possibilidade foi citada como uma das alternativas em avaliação pelo setor. Texto colado
Por: Adriana Candido de Castro
