
O que começou como uma celebração da carne ganhou outra dimensão em 2026. Em sua sexta edição, o Festival Internacional da Carne levou aproximadamente 35 mil pessoas ao Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande, entre sexta-feira (25) e domingo (27), e terminou deixando mais do que o movimento de público: consolidou-se como uma grande vitrine da carne produzida em Mato Grosso do Sul.
Foram cerca de 200 assadores, aproximadamente 300 trabalhadores diretos e indiretos e uma estrutura que reuniu, no mesmo espaço, pecuaristas, indústria frigorífica, gastronomia, empresas, patrocinadores, profissionais do setor e consumidores. A carne foi a protagonista, mas a dimensão alcançada pelo festival mostrou que a experiência vai muito além da churrasqueira.
A edição de 2026 colocou em evidência justamente a cadeia que existe antes de a carne chegar ao prato. Produção, qualidade, indústria, capacitação, gastronomia e experiências para o consumidor passaram a fazer parte de uma mesma narrativa dentro do parque.

Para Mauro Dodero, diretor financeiro da Acrissul, que representou o presidente da entidade, Guilherme Bumlai, o crescimento do festival demonstra a força que o evento conquistou.
“É uma alegria ver o tamanho que o Festival da Carne vem ganhando a cada edição, e se consolida como um dos grandes encontros da carne em Mato Grosso do Sul. E talvez o mais importante seja justamente quem conseguimos reunir aqui. Aqui estão o pecuarista, a indústria, os assadores, a gastronomia, os patrocinadores e todos aqueles que fazem parte dessa enorme cadeia produtiva. Do campo até o prato”, afirmou.
A experiência premium do Entre Brasas e Taças
Entre os espaços que mais traduziram a evolução do festival esteve o Entre Brasas e Taças, principal restaurante da edição, desenvolvido com curadoria da 067 Vinhos, vinícola sul-mato-grossense que levou ao público uma experiência que combinou cortes nobres, diferentes técnicas de preparo e vinhos produzidos no próprio Estado.
O espaço trabalhou com cortes como bife ancho, tomahawk e cordeiro patagônico, apresentados em diferentes estilos de assados, criando uma experiência gastronômica de padrão premium dentro do festival, assinada pelo chef argentino Enzo Ponce, aliado a um ambiente requintado e de muito bom gosto, elevando o padrão dos amantes de boa gastronomia acompanhada de um bom vinho.



A proposta também colocou os vinhos da 067 no centro da experiência. Produzidos em Mato Grosso do Sul, os rótulos acompanharam os pratos e ajudaram a ampliar a percepção sobre a capacidade do Estado de produzir não apenas carne de qualidade, mas também produtos que dialogam diretamente com a gastronomia de alto padrão.
Foi um dos sinais mais claros de que o Festival Internacional da Carne cresceu em conceito. A proposta não ficou restrita à oferta de churrasco ao público. O evento passou a trabalhar a carne como produto, cultura, experiência gastronômica e ativo de uma cadeia econômica que envolve diferentes setores.
Carne de MS do campo ao prato
A conexão com a produção sul-mato-grossense também esteve presente na parceria com a Boibras, responsável pelo fornecimento das carnes utilizadas no festival. A empresa levou para as estações uma carne produzida dentro da própria cadeia sul-mato-grossense, com gado criado em Mato Grosso do Sul e processamento realizado por frigorífico que também atua no Estado.


A presença da Boibras ajudou a materializar uma das principais mensagens da quarta edição: a qualidade apresentada ao consumidor começa muito antes da churrasqueira.
Da propriedade rural à indústria, passando por genética, manejo, sanidade, nutrição, logística e processamento, existe uma cadeia inteira por trás de cada corte servido no festival.


Para Dodero, esse processo precisa ser cada vez mais reconhecido.
“Mato Grosso do Sul construiu uma pecuária moderna, profissional e tecnológica. Temos genética, sanidade, nutrição, sustentabilidade e, principalmente, produtores que trabalham todos os dias para entregar uma carne de altíssima qualidade.”
A intenção, segundo ele, é fazer com que essa identidade ultrapasse as fronteiras do Estado e do próprio país. “Precisamos trabalhar para que o comprador internacional não procure apenas a carne brasileira. Queremos que ele conheça, reconheça e procure a carne de Mato Grosso do Sul. Esse deve ser um objetivo de todos nós: produtores, indústria, entidades e Governo”, destacou.
Energisa e Senac ampliam a experiência
A dimensão alcançada pelo festival também apareceu em espaços que, à primeira vista, não estão diretamente ligados à churrasqueira.
A carreta da Energisa levou ao parque uma experiência voltada à compreensão de como a energia elétrica é produzida, distribuída e percorre todo o caminho até chegar à casa do consumidor. A iniciativa aproximou o público de uma cadeia essencial para o funcionamento das cidades e também para a própria atividade produtiva.


Já a carreta do Senac transformou o festival em espaço de aprendizado. Durante os três dias de evento, foram realizados cursos de gastronomia, com turmas formadas dentro do próprio parque.
A iniciativa acrescentou capacitação à programação e mostrou que a gastronomia pode ser também uma ferramenta de formação profissional e geração de oportunidades.
Na prática, o Festival Internacional da Carne passou a reunir em um mesmo ambiente entretenimento, gastronomia, educação, negócios e divulgação da cadeia produtiva.
Um festival que movimenta muito além da gastronomia
O impacto econômico do evento também se espalhou por diferentes setores. A estrutura necessária para receber 35 mil pessoas envolve montagem, logística, fornecedores, segurança, limpeza, atendimento, comunicação, gastronomia e uma série de serviços que trabalham antes, durante e depois dos três dias de programação. Os aproximadamente 300 trabalhadores envolvidos diretamente e indiretamente dão dimensão desse movimento.
O público encontrou estações de assadores, experiências gastronômicas, música, oficinas, palestras e atividades para diferentes perfis. Para os profissionais da cadeia, o evento representou ainda uma oportunidade de exposição, relacionamento e aproximação com o consumidor.
A edição de 2026, portanto, ampliou o alcance do festival. A carne continuou sendo o centro, mas ao redor dela se formou uma estrutura capaz de conectar quem produz, quem industrializa, quem prepara, quem fornece, quem ensina e quem consome.
Para a idealizadora do Festival Internacional da Carne, Márcia Marinho, o resultado é motivo de comemoração e também de responsabilidade para os próximos anos. “Encerramos mais uma edição do Festival Internacional da Carne com o coração cheio de gratidão. Quero agradecer, primeiro, a todo o público que esteve conosco nesses três dias, prestigiando os assadores, a gastronomia, a música e todas as experiências que preparamos com tanto carinho.”
Márcia também destacou o trabalho realizado pelos cerca de 200 assadores, patrocinadores, parceiros, equipe e imprensa. “Meu agradecimento também é para cada patrocinador e parceiro que acreditou no projeto e tornou essa edição possível; aos nossos assadores, que trouxeram seu talento e fizeram da carne a grande protagonista do festival; e a toda a nossa equipe de trabalho, que se dedica durante meses para que tudo aconteça.”
2027 já começa a ser desenhado.
Com o encerramento da edição deste ano, a organização já iniciou o planejamento da próxima. “Foi uma edição muito especial e o carinho do público nos mostra que estamos no caminho certo. E, para nós, o festival já começou a ser planejado novamente. A partir de agora, já estamos pensando na edição de 2027, buscando novidades, novos parceiros e novas experiências para fazer um festival ainda maior e melhor”, afirmou Márcia.
Mas a principal marca deixada pela edição de 2026 talvez esteja justamente na capacidade de reunir, em um único evento, diferentes elos de uma cadeia que é estratégica para Mato Grosso do Sul.
O Festival Internacional da Carne terminou, mas a mensagem ficou clara: a carne sul-mato-grossense não está apenas na churrasqueira. Está no campo, na indústria, na gastronomia, nos negócios, na formação profissional e, cada vez mais, na experiência que o consumidor tem ao conhecê-la.
E é com essa dimensão que o festival começa a olhar para 2027.
Por: Adriana Candido de Castro
