
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira (5). Com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo lugar na disputa pelo Palácio do Planalto, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, renovando o recorde histórico, enquanto o dólar caiu 4,12% e encerrou o dia cotado a R$ 5,0022.
A reação começou antes mesmo da abertura do mercado brasileiro. Durante a madrugada, um ETF negociado no Japão que acompanha ações brasileiras chegou a subir 14%. Nos Estados Unidos, o iShares MSCI Brazil avançava mais de 12% na pré-abertura de Nova York.
No mercado doméstico, o Ibovespa chegou a atingir 209.605,70 pontos durante o pregão, também um recorde intradiário. O dólar, por sua vez, chegou a ser negociado abaixo de R$ 5 ao longo da manhã, acompanhando a melhora da percepção dos investidores sobre o cenário político e econômico brasileiro.
Para analistas, a leitura do mercado está diretamente ligada ao resultado das urnas e à expectativa de uma agenda econômica mais favorável ao equilíbrio fiscal, ao setor privado e à realização de reformas. A liderança de Flávio Bolsonaro, somada ao avanço de forças de direita no Congresso, foi interpretada pelos investidores como um sinal de maior possibilidade de mudanças na condução da política econômica a partir de 2027.
A melhora na percepção de risco também pressionou os juros futuros para baixo. As taxas dos contratos de longo prazo recuaram mais de 130 pontos-base, enquanto ações de bancos, empresas de consumo e estatais registraram fortes altas.
Entre os destaques, BTG Pactual subiu 22,52%, Magazine Luiza avançou 24,18%, C&A ganhou 19,71% e Itaú Unibanco teve alta de 10,37%. Petrobras também acompanhou o movimento, com alta de 8,19% nas ações preferenciais.
A reação, porém, não elimina a incerteza. O segundo turno ainda mantém o cenário eleitoral em aberto, e analistas avaliam que a volatilidade deve continuar até a definição do próximo presidente.
Ainda assim, o primeiro pregão após a votação deixou um recado claro do mercado: o resultado eleitoral foi recebido com forte apetite por ativos brasileiros, valorização do real e redução das expectativas de risco. A direção definitiva dependerá agora do segundo turno e da capacidade do próximo governo de transformar as expectativas em política econômica.
Por: Adriana Costa
