Agro amplia força no Congresso e reforça importância de bancada alinhada às pautas do setor

Compartilhe:

O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 reforçou o peso político do agronegócio no Congresso Nacional. Ao todo, 200 integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) foram reeleitos ou eleitos para cargos no Legislativo, mantendo o setor entre as principais forças de articulação política do país.

Na Câmara dos Deputados, a FPA conta com 299 integrantes, dos quais 176 foram reeleitos. No Senado, a bancada reúne 48 parlamentares, sendo seis reeleitos e outros 17 que já cumprem mandato e permanecem na Casa.

O resultado ganha ainda mais relevância diante do movimento de parlamentares que trocaram de Casa. Dos 17 deputados que foram eleitos para o Senado, todos integram a FPA. Apenas um senador da bancada foi eleito para a Câmara.

Para o setor produtivo, a presença de parlamentares alinhados às demandas do campo é estratégica. Em um cenário de juros elevados, dificuldades de acesso ao crédito e aumento do endividamento rural, ter uma bancada numerosa e articulada significa ampliar a capacidade de defesa dos interesses de produtores, pecuaristas, cooperativas e empresas ligadas ao agro nas decisões que passam pelo Congresso.

“A FPA sai muito fortalecida dessas eleições, principalmente no Senado”, afirmou o presidente da frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), em entrevista à CNN Agro News nesta segunda-feira (5).

Entre as bancadas e frentes parlamentares temáticas, a FPA é atualmente a maior do Congresso Nacional.

Senado ganha nomes de peso do agro

Entre os deputados integrantes da FPA eleitos para o Senado estão Alexandre Guimarães (MDB-TO), André Fufuca (PP-MA), Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Carol de Toni (PL-SC), Domingos Sávio (PL-MG), Evair de Melo (Republicanos-ES), Fernando Máximo (PL-RO), Filipe Barros (PL-PR), Guilherme Derrite (PP-SP), Gustavo Gayer (PL-GO), Júlio César (PSD-PI), Marcel van Hattem (Novo-RS), Nicoletti (PL-RR), Sanderson (PL-RS) e Zé Medeiros (PL-MT).

A força política da FPA também aparece nas eleições para governos estaduais. Integrantes da frente foram eleitos governadores em Minas Gerais, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul. Em Tocantins, dois parlamentares ligados à bancada avançaram para o segundo turno, enquanto no Acre outro integrante da FPA também permanece na disputa.

Crédito e endividamento seguem no centro da agenda

Com a nova composição do Congresso, a FPA pretende manter no radar algumas das principais dificuldades enfrentadas atualmente pelo setor produtivo. Entre elas estão o endividamento rural, a inadimplência e as dificuldades de acesso ao crédito.

“Nós estamos enfrentando um endividamento recorde no setor, estamos enfrentando um problema seríssimo de inadimplência, o produtor não está conseguindo plantar, não está conseguindo colher”, afirmou Lupion.

Outro ponto defendido pela frente é a transformação do Plano Safra em uma estrutura plurianual, com maior previsibilidade orçamentária para produtores e para o mercado de crédito rural.

A proposta busca reduzir a dependência das decisões tomadas a cada ciclo de governo e criar mecanismos mais estáveis de financiamento para a produção.

“A gente tem que entender que o Plano Safra tem que ser cada vez menos dependente de um governo”, afirmou Lupion.

Para o agronegócio, a composição do próximo Congresso será determinante não apenas para a aprovação de medidas específicas, mas também para garantir que as particularidades e necessidades do setor estejam representadas nas discussões sobre crédito, financiamento, produção e segurança jurídica.

A eleição de uma bancada expressiva e com atuação alinhada às pautas do campo amplia, portanto, o espaço de negociação do setor em Brasília e fortalece a capacidade de articulação do agro diante dos desafios da próxima legislatura.

Por: Redação Caderno Agro