Arroba do boi bate novo recorde e Mato Grosso do Sul acompanha pressão de alta

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large herd of Nellore cattle on the farm, cows and steers

A arroba do boi gordo segue quebrando marcas no mercado brasileiro. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq encerrou a segunda-feira (5) em R$ 372,95 por arroba, novo recorde nominal da série, em um mercado sustentado principalmente pela oferta limitada de animais terminados.

A alta não é isolada. Em diferentes regiões produtoras, frigoríficos encontram dificuldade para recompor as escalas de abate sem elevar as propostas, enquanto pecuaristas, diante de um cenário de preços firmes, reduzem a disposição para entregar animais imediatamente.

No Mato Grosso do Sul, um dos principais polos pecuários do país, a pressão também é evidente. Dados de referência da Scot Consultoria apontam a arroba em R$ 365 no fechamento estadual, enquanto as negociações nas principais praças mostram valores entre R$ 353 e R$ 362 por arroba, dependendo da região e da condição de pagamento.

Em Campo Grande e Dourados, a referência chega a R$ 362 por arroba no prazo. Em Três Lagoas, os negócios aparecem na faixa de R$ 353 à vista e R$ 357 a prazo. A diferença entre as praças mostra um mercado ainda bastante disputado e sensível à disponibilidade de boi pronto para abate.

O movimento ganhou força ao longo de setembro. O mês terminou com a arroba em torno de R$ 362 no mercado sul-mato-grossense, enquanto o contrato futuro de setembro na B3 foi liquidado a R$ 360,95. Na passagem para outubro, a referência estadual avançou para R$ 365, alta de 0,83% em relação ao fechamento de setembro.

A dinâmica ajuda a explicar o comportamento dos preços. Com menor disponibilidade de animais terminados, as indústrias precisam disputar lotes no mercado físico, principalmente quando as escalas começam a encurtar. Segundo o Cepea, as programações de abate observadas em diferentes regiões variam de três a sete dias, embora existam casos pontuais de escalas mais longas.

O quadro também revela uma diferença importante entre oferta e demanda. O frigorífico precisa garantir matéria-prima para manter o ritmo industrial, enquanto o pecuarista, diante da valorização da arroba, ganha poder de decisão sobre o momento da venda. Em algumas regiões, a retenção de animais terminados já reduz a liquidez dos negócios.

No Mato Grosso, por exemplo, o Cepea registrou reajustes de até R$ 10 por arroba em Colíder, com negócios entre R$ 335 e R$ 340. Em Rondonópolis, os preços ficaram entre R$ 335 e R$ 345, enquanto a valorização estimulou parte dos pecuaristas a segurar os animais em busca de melhores oportunidades.

MS tem genética, qualidade e mercado

Para Mato Grosso do Sul, a valorização da arroba acontece sobre uma base pecuária que vai muito além do volume de animais produzidos.

O Estado reúne um dos mais importantes rebanhos bovinos do país, com forte presença de genética selecionada, sistemas de produção tecnificados e crescente busca por animais de maior qualidade. É uma cadeia que envolve desde a produção de bezerros e a seleção genética até a recria, terminação e indústria frigorífica.

Esse diferencial ganha peso em um momento de oferta mais ajustada. Quando há menos boi pronto para o abate, a qualidade do animal passa a ser ainda mais determinante para a formação dos negócios e para o acesso aos mercados que remuneram melhor a carne.

O mesmo movimento aparece no mercado de reposição. Segundo o Cepea, a procura segue aquecida, principalmente por fêmeas destinadas à reprodução, em um período próximo à estação de monta. A oferta mais restrita de boi magro também sustenta os preços do garrote.

Em outras palavras, a valorização não está concentrada apenas na ponta final da cadeia. O mercado de reposição também demonstra força, indicando disposição dos produtores para investir na formação dos próximos ciclos produtivos.

Recorde da arroba muda a dinâmica da pecuária

O novo recorde de R$ 372,95 registrado pelo indicador nacional reforça uma realidade que já vinha sendo percebida nas principais regiões pecuárias: o boi gordo entrou em uma fase de forte valorização e, por enquanto, não há sinal de uma ampliação significativa da oferta capaz de aliviar a pressão sobre os preços.

Para o produtor sul-mato-grossense, o cenário melhora o poder de negociação justamente em um momento em que qualidade, genética e eficiência produtiva ganham cada vez mais importância.

A questão agora é até onde a arroba pode avançar. Com oferta restrita, escalas de abate ainda pressionadas e mercado de reposição aquecido, a pecuária entra em outubro com um sinal claro: o boi gordo deixou para trás as antigas referências de preço e continua testando novos patamares.

Por: Elaine Oliveira