
O mercado de fretes agrícolas manteve pressão sobre os custos de escoamento da produção brasileira em agosto, com comportamentos diferentes entre as principais regiões produtoras, mas tendência de alta na comparação anual. O movimento acompanha a força da demanda pela soja no mercado externo e a dinâmica regional de outros grãos, que mantém aquecida a logística em importantes corredores do país.
De acordo com o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as exportações brasileiras de soja somaram 92,7 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, avanço de 7% sobre o mesmo período de 2025.
No milho, os embarques chegaram a 14,5 milhões de toneladas, queda de 7,9% na comparação anual. Apesar da redução no volume exportado, o cereal apresenta valorização nos mercados interno e internacional, contribuindo para manter a demanda logística em determinadas regiões.
Mato Grosso do Sul tem fretes mais estáveis
Em Mato Grosso do Sul, a movimentação apresentou comportamento mais próximo da estabilidade, com inclinação das tarifas para retração em algumas rotas. O cenário acompanha a dinâmica observada em Mato Grosso, onde os fretes também permaneceram firmes, sustentados principalmente pela demanda do milho para alimentação animal e produção de combustíveis.
Em Goiás, por outro lado, a logística ganhou força com o aumento dos fluxos internos destinados ao abastecimento de sorgo em Minas Gerais. A demanda das empresas produtoras de ração impulsionou as operações de média e curta distância e levou a aumentos de até 22,9% nos valores dos fretes.
No Distrito Federal, houve redução nas tarifas em todos os corredores monitorados durante agosto, mas os valores permaneceram elevados quando comparados ao mesmo período do ano passado.
No Nordeste, a Bahia registrou aumento dos fretes na maioria das rotas, com alta de até 4,8%. A expectativa de crescimento dos embarques de algodão nos próximos meses pode ampliar a pressão sobre o transporte rodoviário entre as regiões produtoras e os terminais portuários.
No Piauí, as cotações oscilaram entre queda de 9,1% e alta de 5,6%, enquanto no Maranhão houve redução da movimentação de cargas e dos fretes após a concentração do escoamento da soja no primeiro semestre.
Café pressiona logística em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o avanço da colheita de café elevou a demanda por transporte. Maior produtor nacional do grão, o Estado registrou alta de até 36,2% nos fretes, principalmente em rotas com destino à região Sul de Minas.
Em São Paulo, os valores permaneceram próximos da estabilidade em relação a julho, com variações entre queda de 6,7% e alta de 5,7%, em um cenário determinado principalmente pelo equilíbrio entre oferta e demanda por caminhões nas regiões produtoras.
A Conab também identificou leve valorização dos fretes para o transporte de feijão no Paraná. Para os demais grãos analisados no Estado, predominou uma tendência de queda nas tarifas.
Arco Norte ganha espaço no escoamento
A logística brasileira também evidencia a importância crescente dos corredores do Arco Norte para as exportações agrícolas. Entre janeiro e agosto, os portos da região responderam por 48,98% dos embarques brasileiros de milho, enquanto Santos concentrou 27,08%.
Na soja, o Arco Norte foi responsável por 38,85% das exportações, contra 34,42% pelo porto de Santos. O terminal paulista também concentrou 44,02% dos embarques de farelo de soja.
O avanço dos corredores do Norte reduz a dependência de rotas tradicionais e amplia as alternativas para o escoamento da produção, especialmente para as regiões agrícolas do Centro-Oeste.
Importação de fertilizantes recua
Outro dado relevante do levantamento está nas importações de fertilizantes. O volume acumulado até agosto chegou a 25,38 milhões de toneladas, aproximadamente 13,7% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
O cenário logístico brasileiro continua, portanto, sendo determinado por uma combinação de fatores: ritmo das exportações, demanda interna por grãos, disponibilidade de caminhões, calendário de colheita e movimentação nos portos.
Mesmo com diferenças importantes entre os Estados, a pressão sobre os fretes reforça o peso da logística na formação dos custos do agronegócio e a necessidade de ampliar e diversificar os corredores de transporte para garantir competitividade à produção brasileira.
Por: Elaine Oliveira
