Exportações brasileiras avançam 12,9% em setembro, mas vendas à China recuam

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As exportações brasileiras somaram US$ 34,42 bilhões em setembro, alta de 12,9% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi acompanhado pela redução das importações e pela ampliação do superávit comercial, em um cenário de movimentos distintos entre os principais parceiros comerciais do país. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O desempenho reforça a importância do comércio exterior para o agronegócio brasileiro, que tem na China e nos Estados Unidos dois mercados estratégicos. Apesar do avanço das vendas aos norte-americanos em setembro, as exportações acumuladas para esse destino ainda registram queda no ano. Já o mercado chinês apresentou recuo mensal, influenciado principalmente pela redução dos embarques de produtos como carne bovina e soja.

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras alcançaram US$ 284,65 bilhões, crescimento de 10,4% na comparação anual. As importações somaram US$ 222,26 bilhões, alta de 5% no período.

Com esses resultados, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, avanço de 146,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 2026 até setembro, o saldo positivo chegou a US$ 62,4 bilhões, crescimento de 34,8%.

A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, atingiu US$ 61,10 bilhões no mês e US$ 506,91 bilhões no acumulado do ano, alta de 8%.

Vendas aos Estados Unidos reagem, mas acumulado segue negativo

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 31,9% em setembro, alcançando US$ 3,52 bilhões. O avanço mensal, porém, não foi suficiente para reverter a retração acumulada desde o início do ano: entre janeiro e setembro, os embarques ao mercado norte-americano somaram US$ 28,37 bilhões, queda de 6,5%.

Segundo Herlon Alves Brandão, analista de comércio exterior do Mdic, parte da recuperação mensal está relacionada à suspensão de tarifas sobre determinados produtos. Em setembro do ano anterior, carne bovina e café ainda estavam sujeitos às sobretaxas, que foram retiradas em outubro de 2025.

As vendas de carne bovina aos Estados Unidos cresceram 524% na comparação entre os meses de setembro, enquanto as exportações de café avançaram 108%. Também houve aumento nos embarques de máquinas para geração de energia elétrica, ferro-gusa e aeronaves.

Para o agronegócio, o movimento demonstra como mudanças nas condições de acesso aos mercados podem alterar o desempenho das exportações em períodos curtos. Ainda assim, a queda acumulada indica que a recuperação precisa ser avaliada para além de um único mês.

China reduz compras de produtos brasileiros

Principal destino das exportações brasileiras, a China importou US$ 7,89 bilhões em produtos do Brasil em setembro, recuo de 7,6% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, entretanto, as vendas ao país asiático cresceram 12%, chegando a US$ 84,68 bilhões.

De acordo com o Mdic, a retração mensal foi influenciada pela diminuição dos embarques de carne bovina, soja e farelo de soja. A China respondeu por 22,9% de todas as exportações brasileiras em setembro, mantendo posição central na demanda externa por produtos nacionais.

As importações brasileiras de mercadorias chinesas, por sua vez, aumentaram 12,6% em setembro, para US$ 7 bilhões. No acumulado do ano, as compras chegaram a US$ 58,62 bilhões, alta de 9,9%.

A diferença entre o desempenho mensal e o acumulado reforça a necessidade de acompanhar os volumes e valores exportados ao longo do tempo. Para setores dependentes do mercado externo, como a carne bovina e a soja, oscilações nas compras chinesas podem repercutir sobre a comercialização e a formação de preços.

Mercosul também registra retração

Além da queda nas vendas à China, o Brasil apresentou redução das exportações para o Mercosul, com recuo de 16,3% em setembro. No comércio com a Argentina, a retração foi de 25,2%, enquanto os embarques para o Oriente Médio diminuíram 4,8%.

As vendas brasileiras ao mercado argentino passaram de US$ 1,8 bilhão para US$ 1,3 bilhão na comparação anual. Os resultados mostram que o crescimento das exportações totais não ocorreu de maneira uniforme entre os destinos comerciais.

Petróleo lidera as exportações brasileiras

Entre os produtos com maior valor exportado em setembro, o petróleo bruto ocupou a primeira posição, seguido pela soja e pelo minério de ferro. O café não torrado, o milho e a carne bovina também apareceram entre os principais itens da pauta brasileira.

A presença desses produtos evidencia o peso das commodities na geração de receitas externas. Para Mato Grosso do Sul, o desempenho nacional interessa especialmente pela relevância da soja, do milho e da carne bovina na economia estadual.

A evolução das exportações brasileiras, contudo, depende não apenas da demanda internacional, mas também das condições comerciais, da competitividade dos produtores e da capacidade de manter o abastecimento dos mercados compradores.

Principais produtos exportados pelo Brasil em setembro de 2026

ProdutoValor exportado
Óleos brutos de petróleoUS$ 6,5 bilhões
SojaUS$ 3,5 bilhões
Minério de ferro e concentradosUS$ 2,0 bilhões
Café não torradoUS$ 1,3 bilhão
Milho não moído, exceto milho doceUS$ 1,2 bilhão
Carne bovina fresca, refrigerada ou congeladaUS$ 1,2 bilhão

Por: Nicole Cabalero
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), conforme dados divulgados para setembro de 2026.