
Mato Grosso do Sul exportou US$ 9,21 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 12,53% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi sustentado pelo agronegócio, que ampliou em 28,52% o valor das vendas externas da agropecuária, e levou o superávit da balança comercial estadual a US$ 7,42 bilhões, alta de 17,46% em um ano.
Os números, levantados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), mostram a força da produção sul-mato-grossense no mercado internacional. No período, o Estado embarcou 23,52 milhões de toneladas de mercadorias, volume 7,95% superior ao registrado nos nove primeiros meses do ano passado.
A soja liderou a pauta exportadora, com US$ 2,86 bilhões em receitas e participação de 31,08% no total. Na sequência aparecem a celulose, responsável por 26,42% das vendas, e a carne bovina, com 17,82%. Juntos, os três produtos representam mais de 75% do valor exportado por Mato Grosso do Sul, evidenciando a dependência da economia estadual das cadeias agropecuárias e agroindustriais.
O desempenho da agropecuária foi superior ao crescimento geral das exportações. Enquanto as vendas externas do Estado avançaram 12,53%, o segmento agropecuário registrou alta de 28,52% em valor e de 13,75% em volume. A indústria de transformação também cresceu, com expansão de 9,24% no valor exportado.
Superávit cresce 17,46% e reforça peso do campo
O saldo comercial de US$ 7,42 bilhões representa um dos principais indicadores da capacidade do Estado de gerar divisas por meio da produção e das vendas ao exterior. A diferença entre exportações e importações cresceu 17,46% na comparação anual, ampliando a contribuição do comércio exterior para a economia sul-mato-grossense.
O avanço ocorre em um cenário no qual a competitividade do agronegócio depende de produtividade, custos de produção, infraestrutura logística e acesso aos mercados internacionais. A expansão do volume embarcado demonstra o aumento da oferta exportável, mas também reforça a importância de manter condições comerciais favoráveis para produtos como soja, carne bovina e derivados.
Além dos grãos e da proteína animal, farelo de soja, carnes de aves, açúcares e melaços integram a pauta estadual. A celulose, por sua vez, ocupa posição de destaque entre os produtos industrializados, conectando a base florestal de Mato Grosso do Sul à demanda externa.



China concentra 46,34% das vendas
A China permaneceu como principal destino das exportações sul-mato-grossenses, absorvendo 46,34% do valor comercializado entre janeiro e setembro. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 6,46%, seguidos pelos Países Baixos, com 4,81%.
A concentração no mercado chinês evidencia a importância da demanda asiática para o desempenho exportador do Estado. Ao mesmo tempo, amplia a exposição da economia regional a mudanças nas condições de compra, nas políticas comerciais e no ritmo de crescimento dos principais parceiros.
A diversificação de destinos e o aumento da participação de produtos com maior valor agregado são caminhos para reduzir essa dependência e ampliar as oportunidades de receita para a economia estadual.
Logística e municípios exportadores
O Porto de Santos, em São Paulo, foi responsável por 38,40% do valor exportado por Mato Grosso do Sul, consolidando-se como principal rota de escoamento das mercadorias. A participação evidencia o peso da infraestrutura logística externa ao território estadual para conectar a produção local aos compradores internacionais.
Entre os municípios, Três Lagoas liderou as exportações, com 18,15% do total. Dourados respondeu por 11,22%, enquanto Ribas do Rio Pardo alcançou 11,05%. Os cinco municípios com maior participação concentraram mais da metade das vendas externas estaduais.
Os resultados reforçam o papel do agronegócio e da indústria de transformação na geração de receitas externas, mas também colocam em evidência desafios estruturais: ampliar a diversificação de mercados, agregar valor à produção e melhorar a logística para sustentar o crescimento das exportações.
Com o avanço das vendas externas e a ampliação do superávit comercial, Mato Grosso do Sul confirma a relevância de sua base produtiva para a economia estadual. A continuidade desse desempenho dependerá da capacidade de preservar a competitividade no campo e na indústria, ampliar o acesso a mercados e reduzir os gargalos que encarecem o caminho entre a produção e o consumidor internacional.
Por: Elaine Oliveira
