Dependência de fertilizantes importados custa R$ 1,4 trilhão ao agro brasileiro em 30 anos

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O Brasil destinou o equivalente a R$ 1,4 trilhão, em valores atuais, à compra de fertilizantes importados nos últimos 30 anos, segundo estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert). O dado reforça a vulnerabilidade do agronegócio nacional diante da dependência externa, que responde por cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país.

Em Carta Aberta ao Brasil, divulgada na terça-feira (13), Dia Mundial dos Fertilizantes, a entidade defendeu o fortalecimento da indústria nacional para reduzir a exposição do setor às oscilações de preços e aos problemas de abastecimento no mercado internacional.

A pressão sobre os custos já aparece nos indicadores. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontaram alta de 12,8% nos preços dos fertilizantes importados em agosto. Os gargalos no estreito de Ormuz também pressionaram insumos como ureia, nitrato, sulfato de amônio e enxofre, além dos custos do gás e do transporte.

Em julho, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro recuaram 22,3%, segundo os dados citados no documento, em um movimento que compromete a disponibilidade de insumos para a produção agrícola.

Para o Sinprifert, a dependência foi construída ao longo de décadas, com o país exportando alimentos e destinando parte da receita à aquisição de insumos produzidos no exterior. Na avaliação da entidade, esse fluxo de recursos contribuiu para gerar empregos, renda e capacidade industrial em outros países, enquanto o Brasil permaneceu exposto às condições do mercado internacional.

A proposta é ampliar os investimentos em produção nacional, especialmente em fertilizantes de maior valor agregado, com foco em economia circular, energia renovável e inovação biotecnológica.

A entidade também defende que o desenvolvimento industrial esteja associado à sustentabilidade e à redução da pegada ambiental. A carta termina com cinco compromissos, entre eles ampliar o retorno dos investimentos ao país, recuperar a fertilidade dos solos e posicionar o Brasil na liderança da próxima revolução verde.

Por: Redação Caderno Agro