FMI reduz previsão do PIB brasileiro para 2,2% em 2026; agro segue como motor da economia

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 2,4% para 2,2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e também revisou para baixo a estimativa para 2027, de 2,2% para 1,9%. A revisão reforça a perspectiva de desaceleração da atividade econômica nacional, pressionada pelos juros elevados, pela retirada de estímulos fiscais e pelas incertezas internacionais.

A estimativa consta no relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado na segunda-feira (12). Para o Brasil, a nova projeção fica acima da previsão do Ministério da Fazenda, de 2%, e da expectativa do mercado financeiro, que estima avanço de apenas 1,85% neste ano, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

O cenário expõe as limitações do crescimento econômico brasileiro, com o custo do crédito ainda elevado e menor estímulo ao consumo e aos investimentos produtivos. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, após iniciar uma trajetória de redução em março, quando alcançava 15%.

Agronegócio mantém peso estratégico

Em meio à desaceleração projetada para o PIB nacional, o agronegócio permanece como um dos principais pilares da economia brasileira. O setor tem capacidade de impulsionar a atividade por meio da produção agrícola e pecuária, das exportações e da geração de renda em diferentes cadeias produtivas.

O desempenho do campo, entretanto, depende de fatores como clima, preços internacionais das commodities, custos de produção, disponibilidade de crédito e demanda externa. As condições financeiras restritivas também atingem produtores rurais, especialmente nas decisões de custeio, investimento e expansão da produção.

O próprio relatório do FMI destaca a relevância do Brasil no mercado internacional de commodities. O país aparece entre os produtores que ampliaram a oferta de petróleo em meio às turbulências no Golfo Pérsico. Na área agrícola, o documento aponta a alta dos preços de cereais e bebidas, além de um avanço de 8% nas cotações do café entre março e agosto, após chuvas intensas em Minas Gerais atrasarem a colheita e ampliarem as preocupações com a qualidade da safra.

Juros altos limitam a atividade

Segundo o FMI, a política monetária restritiva é um dos fatores que contribuem para a desaceleração brasileira. Com a Selic em patamar elevado, o crédito fica mais caro para empresas e consumidores, o que pode adiar investimentos, reduzir o consumo e limitar o ritmo de expansão da economia.

A retirada de estímulos fiscais e as incertezas do cenário externo também pesam sobre as perspectivas. Para 2027, a projeção de crescimento de 1,9% indica que o Fundo não espera uma recuperação mais forte no curto prazo.

Inflação e emprego no radar

O FMI projeta inflação de 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027 para o Brasil. As estimativas ficam dentro do limite superior de 4,5% do intervalo de tolerância da meta de inflação, cujo centro é de 3%.

As projeções, porém, diferem das estimativas nacionais. O Ministério da Fazenda prevê inflação de 4,9% neste ano, enquanto o Focus aponta 5,22%. Para 2027, as estimativas são de 3,8% e 4,30%, respectivamente.

No mercado de trabalho, o Fundo estima que a taxa de desemprego brasileira encerre 2026 em 6,2%, subindo para 6,8% em 2027. O indicador contrasta com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE, que registrou desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2012.

A combinação de crescimento econômico moderado, crédito caro e incertezas externas mantém o desafio de sustentar a expansão da atividade produtiva. Nesse contexto, o desempenho do agronegócio e das exportações de commodities continua relevante para a economia brasileira, embora o setor também esteja sujeito às oscilações de mercado e aos custos financeiros.

Por: Redação Caderno Agro