Boi gordo mantém mercado firme e arroba chega a R$ 378 em Dourados

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O mercado do boi gordo iniciou a semana após o feriado com novas altas em diferentes regiões do país. Em Mato Grosso do Sul, a oferta limitada de animais terminados e a necessidade de recomposição das escalas de abate mantêm a sustentação dos preços, em um cenário de expectativa de valorização no curto prazo.

Levantamento da Scot Consultoria, com cotações divulgadas pelo Notícias Agrícolas, aponta o boi gordo negociado à vista a R$ 378 por arroba em Dourados, R$ 376 em Campo Grande e R$ 374 em Três Lagoas. Nas negociações com prazo de 30 dias, os valores chegam a R$ 382, R$ 380 e R$ 378, respectivamente.

O levantamento também indica diferenças nas cotações da vaca gorda, com R$ 358 por arroba em Dourados, R$ 356 em Campo Grande e R$ 351 em Três Lagoas, considerando os preços à vista.

Na referência apresentada pela consultoria Safras & Mercado, a média estadual de Mato Grosso do Sul aparece em R$ 382,61 por arroba. Já a cotação média informada pela Pecuária.com.br é de R$ 374. Os números apresentam diferenças entre os levantamentos, que utilizam referências e condições de negociação distintas.

No cenário nacional, o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, avalia que a oferta restrita de animais prontos para o abate e as escalas dos frigoríficos, concentradas entre cinco e seis dias úteis, mantêm a indústria ativa nas compras. A expectativa é de continuidade da pressão de alta nos preços.

A demanda também entra no radar do mercado. O último bimestre do ano reúne fatores sazonais favoráveis ao consumo, como o pagamento do 13º salário e as festividades de fim de ano, além da perspectiva de maior movimentação das exportações.

Segundo Iglesias, a possibilidade de retomada das vendas para a China estimula os frigoríficos a antecipar aquisições, organizar a produção e formar estoques para os embarques. O gerenciamento da cota chinesa, entretanto, pode limitar a intensidade das compras, dependendo da distribuição dos volumes autorizados ao longo do período.

No mercado interno, a carne bovina ainda enfrenta concorrência de proteínas como frango e carne suína, o que pode limitar o repasse de preços ao consumidor. Mesmo assim, a entrada de salários na economia durante a primeira quinzena de novembro tende a favorecer a reposição de estoques no atacado e no varejo.

No atacado, os preços da carne bovina permanecem sustentados. O quarto dianteiro está cotado a R$ 22,50 por quilo, o traseiro a R$ 29,50 e a ponta de agulha a R$ 21.

Entre os indicadores de referência, o boi gordo CEPEA/ESALQ registra R$ 390 por arroba à vista, enquanto os contratos futuros na B3 para novembro de 2026 operam próximos de R$ 409,50.

Para a pecuária sul-mato-grossense, a combinação entre oferta restrita, demanda externa e expectativa de aquecimento do consumo interno mantém o mercado atento ao comportamento dos frigoríficos e à evolução das escalas de abate nas próximas semanas.