Porto Murtinho avança para se tornar o maior polo hidroferroviário do MS com novo terminal de R$ 181 milhões

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A partir de 2026, Porto Murtinho deve ingressar definitivamente no mapa dos grandes corredores logísticos da América do Sul. A construção do Terminal Multifuncional do PTP Group — investimento estimado em R$ 181 milhões — representa o maior avanço estrutural recente da região e reforça a estratégia do Governo de Mato Grosso do Sul de transformar o município no principal ponto de integração entre rodovias, ferrovia, hidrovia e, em breve, a Rota Bioceânica.

O empreendimento obteve Licença de Instalação e Licença de Supressão Vegetal do Imasul e deve iniciar obras em 2025. Segundo projeções técnicas, o terminal terá capacidade para movimentar até 2,85 milhões de toneladas por ano, somando grãos, fertilizantes e cargas gerais. A estrutura inclui silos expansíveis, armazém de 20 mil toneladas e área offshore para operação de barcaças no Rio Paraguai — hidrovia que, embora subutilizada, tem potencial para transportar mais de 20 milhões de toneladas anuais, segundo dados da Administração da Hidrovia Paraguai–Paraná (AHIPP).

Representantes dos governos Estadual e Municipal, entre elas o Governador de MS, Eduardo Riedel (PP) e o Prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB)

Integração com a Rota Bioceânica e impacto para o agro

Porto Murtinho já é visto como o futuro portal de saída da produção sul-mato-grossense rumo ao Pacífico pelo corredor que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A previsão oficial do Governo do Estado é de que a rota esteja operacional entre 2025 e 2026, com impacto direto na competitividade das exportações de soja, milho, carne bovina e celulose.

Hoje, a distância de Mato Grosso do Sul a portos chilenos como Antofagasta pode cair até 40% em relação às rotas tradicionais via Santos e Paranaguá. Isso reduz custo logístico em até 15%, conforme estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), beneficiando especialmente o agronegócio — responsável por aproximadamente 30% do PIB de MS.

A instalação de novos terminais em Porto Murtinho — três em implantação, contando o do PTP Group — complementa iniciativas estaduais como:

  • ampliação da MS-386 e MS-045 para acesso ao porto;
  • parcerias com o DNIT para melhoria da BR-267;
  • apoio direto à integração binacional com o Paraguai, que avançou com a inauguração da Ponte Bioceânica em 2024.

Governo estadual e prefeitura atuam para transformar o município

Nos últimos quatro anos, Porto Murtinho recebeu mais de R$ 700 milhões em obras estaduais e federais, incluindo infraestrutura viária, urbana e de apoio à logística — números registrados pela Seilog/MS. O governo municipal, por sua vez, ampliou redes de drenagem, áreas de apoio para caminhoneiros e espaços destinados a empresas de serviços portuários.

Essas ações têm refletido diretamente na economia local. De acordo com o IBGE, Porto Murtinho apresentou crescimento acumulado de 8,2% no PIB entre 2020 e 2022, impulsionado principalmente pela expectativa da Rota Bioceânica e pela demanda de novas operações portuárias. O número deve crescer ainda mais com o início das obras do terminal do PTP Group, que promete gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos.

Corredor internacional fortalece relação com Argentina, Uruguai e Bolívia

A expansão logística também amplia a integração regional. O PTP Group opera terminais em Entre Ríos (Argentina), Nueva Palmira (Uruguai) e pontos estratégicos no Paraguai, permitindo a formação de um corredor contínuo entre o Cone Sul e Mato Grosso do Sul. A Bolívia, que já utiliza o Rio Paraguai para envio de cargas, deve aumentar sua participação após melhorias na navegabilidade.

Paralelamente, Brasil e Paraguai avançam nas tratativas para lançar a primeira licitação de dragagem e sinalização do trecho entre Corumbá e Porto Murtinho — considerada essencial para manter a hidrovia operacional durante todo o ano. Hoje, o calado médio na região do Pantanal varia muito entre períodos de cheia e estiagem, prejudicando previsibilidade logística.

Governança semelhante à da Rota Bioceânica

Além da infraestrutura, o governo estadual articula com províncias argentinas, departamentos paraguaios e autoridades uruguaias a criação de um fórum de governadores para discutir normas, investimentos e expansão das operações ao longo do Rio Paraguai. O modelo replica a governança da Rota Bioceânica, considerada um dos mais bem-sucedidos arranjos logísticos multinacionais recentes.

Por: Amanda Coelho com informações da Semadesc